Taxa de contaminação pela Covid-19 está na faixa de 1.5 em Goiás, aponta pesquisador da UFG

Taxa de contaminação pela Covid-19 está na faixa de 1.5 em Goiás, aponta pesquisador da UFG

De acordo com o biólogo José Alexandre Felizola Diniz Filho, professor no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) e que integra o grupo de estudos técnicos sobre o novo coronavírus, a taxa de aceleração das contaminações pela Covid-19 está na faixa de 1.4/1.5 em Goiás. “Não temos separado o dado por Goiânia, mas Goiânia é que domina todo o Estado em número de casos. Está na faixa de 1.5. Talvez um pouco mais acelerado na capital. Se você observar na nota técnica, nosso modelo sugere que ela está subindo”, informou ao Jornal Opção nesta segunda-feira, 8.

Isso aponta que o contágio da doença está cada vez mais altos. Na opinião de especialistas, a razão disso é a redução do isolamento social. “Vários estudos mostraram que tem relação com o nível de isolamento, que é medido por telefonia, e o Re (taxa de transmissão). A gente calibra isso. Se a população segue com a vida normal, esse Re sobe para 2,5 ou 2,7. Quando vai para 50%, o número de transmissões tende a cair para 1,1. Isso significa que a epidemia está sob controle. A gente está em 37% de isolamento, mais ou menos, você está na metade do caminho. Isso vai dar um Re de 1.4 ou 1.5”, explicou.

Flexibilização

José Alexandre diz que a discussão de uma retomada à vida cotidiana é incompreensível e debatida apenas no Brasil em meio ao crescimento dos casos. “É muito estranho. Não é uma coisa de Goiânia ou Goiás, mas do Brasil todo. A gente está vendo a discussão de flexibilização e de retorno quando a epidemia está crescendo. Isso não aconteceu em nenhum outro lugar do mundo. Não sei as pessoas acompanham notícias de outros países, outros lugares, eu não sei bem o que acontece, mas não faz sentido nenhum. Em nenhum lugar do mundo flexibilizou a quarentena enquanto estava crescendo a epidemia. É muito estranho e epidemiologicamente não faz sentido”, observou.

“Vi o pessoal das associações comerciais dizerem que o comércio não é responsável por isso… isso não é verdade. O pessoal do comércio não está seguindo os decretos, estão todos abertos. Loja de roupas infantis, de roupas de festa, todos abertos. O problema foi não ter seguido as regras. O nosso isolamento está muito baixo”, apontou.

“Não sei nem se vai ter impacto [reabrir], porque já está tudo aberto”, disse. “Nosso isolamento só não voltou aos níveis de fevereiro por conta do fechamento das escolas e universidades. No dia que liberar isso, tudo volta ao normal. O comércio já está todo aberto, basta andar nas ruas”, criticou o pesquisador.

Perguntado sobre a eficácia do uso das máscaras e das medidas de segurança e higiene, o professor afirmou que elas podem reduzir os riscos da infecção, mas quem em cálculos gerais, não asseguram o controle da pandemia. “Claro que reduz as chances de contaminação, mas a dúvida é se isso na população, como soma desses efeitos individuais, ajudam ou se dilui? Quando penso na efetividade da máscara, penso que se fosse isso a gente poderia mandar uma carta para o rei da Espanha, dizendo: Por que não usaram máscara? Porque efetivamente não é isso que funciona. Não é o que vai controlar a epidemia”, ressaltou.

“Ajuda, mas o controle tem que ser por isolamento. Se não, os países da Europa ou mesmo da China que já tinham passado por esse problema não precisariam fazer lockdown. Bastava usar máscara e lavar a mão e tudo continuaria normal. É porque não é tão simples assim. O efeito é pequeno”, pontuou.

Reprodução: BSB TIMES

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