Na verdade, a esquerda não entendeu nada do jogo, nada.

Na verdade, a esquerda não entendeu nada do jogo, nada

Comunicação é semiótica – poderiam “bater” no Bolsonaro de várias formas, mas preferiram fazer uma inviável ponte entre ele e o fascismo.

Até poderiam encontrar traços disso e aponta-los, mas existe um ciclo na constituição do pensamento fascista que jamais será fechado por Bolsonaro. Nisso essa retórica já seria capenga.

Porém, isso é irrelevante diante do fenômeno real, como disse a semiótica.

No caso, o fascismo tem uma “imagem acústica”, uma estética própria, sendo assim a associação mental necessária para vincular Bolsonaro ao fascismo de forma eficaz se teria de dar por aí – a mente somente reconhece alguém dentro de um estereótipo se esse alguém corresponder à imagem desse estereótipo – e Bolsonaro passa longe da estética recognicível do fascismo.

Aí o inverso ocorre: a alegação de que ele é fascista é tida como falácia, como uma construção falsa com objetivos espúrios, o que gera repulsa e reação.

No final é o efeito #elenão – só aumenta sua popularidade naquilo que uma imensa parte da população acaba por se identificar com ele conquanto sofredor de um ataque que poderia ser para com ela, muito mais do que com a acusação que lhe fazem (e as medonhas atrocidades do fascismo) …

Desse jeito ele vai eleger até o sucessor em 2026.

Tiago Lucero é antrólogo, sociólogo, estudou economia e Direito, e nas horas vagas pensa demais.

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