Shinzo Abe: o que acontece após renúncia do premiê japonês ?

A notícia abrupta de que o premiê com maior tempo de mandato do Japão, Shinzo Abe, renunciaria ao cargo por conta de uma piora em seu estado de saúde fez os olhos se voltarem, nesta sexta-feira (28), para o caminho que a terceira maior economia do mundo deve seguir.

O anúncio vai desencadear uma eleição em seu partido, o LDP (Partido Liberal-Democrata) para substituí-lo como presidente da legenda, seguido por uma votação no parlamento para eleger um novo primeiro-ministro.

Abe e seu gabinete continuariam a comandar o governo até que um novo premiê seja escolhido, mas não podem adotar novas diretrizes. O vencedor da eleição do partido ficaria com o cargo até a data prevista para o fim do mandato de Abe no LDP, em setembro de 2021.

O novo presidente do partido tem virtualmente garantido o cargo de primeiro-ministro, uma vez que a legenda tem maioria na câmara baixa do parlamento.

Normalmente, o partido deve anunciar a eleição pela sua liderança, com um mês de antecedência, com membros do parlamento votando ao lado de membros de grupos locais.

Em caso de uma renúncia súbita, no entanto, uma votação extraordinária deve ocorrer “na data mais breve possível”, com os participantes limitados à membros do parlamento e representantes ds diretórios locais.

Aqui estão detalhes sobre alguns dos candidatos mais prováveis a assumir o leme.

Taro Aso

Ministro das Finanças, Aso, de 79 anos, que também é primeiro-ministro adjunto, foi um membro no núcleo da administração de Abe. Sem consenso claro sobre quem deve suceder Abe, parlamentares podem eleger Aso como líder temporário.

Em 2008, Aso foi eleito como líder do LDP e premiê, com esperanças de que ele pudesse reviver as sortes do partido, dominante havia tempos. Ao invés disso, o LDP sofreu uma derrota histórica na eleição de 2009 e ficou na oposição por três anos.

Neto de um ex-primeiro-ministro, Aso mistura sua experiência política a uma afinidade com mangás e uma tendência a gafes.

Shigeru Ishiba

O aguerrido ex-ministro da Defesa e raro crítico de Abe dentro do LDP, Ishiba, de 63 anos, lidera com regularidade pesquisas sobre quem os eleitores gostariam de ver como próximo primeiro-ministro, mas é menos popular entre os membros do partido.

Ele já apresentou projetos para a agricultura e para recuperação de economias locais.

Ishiba derrotou Abe no primeiro turno da eleição presidencial do partido em 2012, graças a um forte apoio de membros de grupos locais, mas perdeu no segundo, em que só membros do parlamento poderiam votar. Em 2018, em uma pesquisa da liderança do partido, Ishiba perdeu para Abe por muito.

Ele criticou as taxas de juros superbaixas do Banco do Japão por enfraquecer bancos regionais e pediu por mais gasto em obras públicas para remediar a crescente desigualdade.

Taro Kono

O ministro da Defesa Taro Kono, de 56 anos, tem reputação de dissidente, mas se alinhou a Abe em políticas importantes, incluindo uma posição austera em uma disputa com a Coreia do Sul sobre história da época de guerra.

Ex-aluno da Universidade Georgetown e fluente em inglês, ele já foi ministro do Exterior e da reforma administrativa.

Ele diferenciou suas posturas conservadoras das de seu pai, o ex-secretário-chefe de gabinete Yohei Kono, que assinou um pedido de desculpas histórico em 1993 às “mulheres de conforto”, eufemismo para as mulheres forçadas a trabalhar nos bordéis militares japoneses durante a guerra.

Yoshihide Suga

Suga, de 71 anos, era tenente leal desde o mandato atribulado de abe em 2006 e 2007, e estava entre os aliados que encorajaram Abe a concorrer novamente ao posto mais alto em 2012.

Durante o mandato, Abe pôs Suga como secretário-chefe de gabinete, que age como o principal porta-voz do governo, coordena diretrizes e mantém os burocratas na linha.

Conversas de Suga como um candidato surgiram em abril de 2019 após ele anunciar o nome da nova era imperial, Reiwa, para uso nos calendários japoneses após o novo imperador ascender ao trono.

A posição de Clout perdeu impulso após escândalos que atingiram dois ministros de gabinete próximos dele em outubro do ano passado.

Shinjiro Koizumi

O nome de Koizumi, de 39 anos, ministro do Meio Ambiente e filho do carismático ex-premiê Junichiro Koizumi, é frequentemente apostado como o de um futuro primeiro-ministro, mas muitos o consideram jovem demais.

Ele compartilha algumas das visões conservadoras de Abe e prestou homenagem ao controverso altar Yasukuni em Tóquio para os mortos na guerra.

Koizumi tem projetado uma imagem reformista com base em esforços para cortar o subsídio japonês ao carvão, o mais sujo dos combustíveis, mas tipicamente toma cuidado para não ofender os mais velhos do partido.

Toshimitsu Motegi

Atualmente ministro do Exterior, Motegi, de 64 anos, serviu anteriormente como ministro da economia, enfrentando o representante do comércio dos EUA Robert Lighthizer em duras negociações.

Ele também foi ministro do comércio sob Abe quando ele retornou ao poder em 2012, liderando o diálogo pelo pacto de comércio livre Parceria Transpacífica.

Ex-aluno da Universidade de Tóquio e de Harvard, Motegi foi eleito pela primeira vez para a câmara baixa em 1993 pelo então oposicionista Novo Partido do Japão e se juntou ao LDP em 1995.

Katsunobu Kato, Yasutoshi Nishimura

Como ministro da saúde, Kato, de 64 anos, esteve sob os holofotes no início da pandemia da Covid-19, mas o então ministro da Economia Yasutoshi Nishimura, de 57 anos, ex-funcionário do Comércio, emergiu como ponto focal do enfrentamento ao vírus.

Em 2015, Kato, um pai de quatro filhos, recebeu a tarefa de aumentar a taxa de natalidade japonesa, uma missão que teve pouco sucesso. Ele é ex-funcionário do ministro das Finanças.

Seiko Noda

Noda, de 59 anos, não fez segredo de seu desejo de se tornar a primeira premiê mulher do Japão. Uma crítica de Abe, a ex-ministra de Política Interna, que também liderou uma pasta pelo empoderamento feminino, não conseguiu o apoio necessário para se juntar à corrida pela liderança do partido em 2018.

FONTE: CNN INTENACIONAL

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