O astronauta, o Bolsonaro e o “jornalista da Folha”

O astronauta o Bolsonaro e o jornalista da Folha

A gênese de um caso de “manipulação midiática”, ou como chamávamos antigamente as fake News.

Por Tiago Lucero

Nesta quarta-feria (2/09) me chamou atenção ao observar os top trends do Google, logo pela manhã, os seguintes termos que estavam em alta nas pesquisas: Nasa – Astronauta – Litoral de São Paulo.

Fui olhar com mais cuidado quando me deparei com algumas manchetes de portais brasileiros:

Manchetes de portais brasileiros falando sobre a postagem do astronauta Chris Cassidy

Acredito que a comparação das imagens deixa bem claro, a coisa salta aos olhos, mas, se o leitor me permite, gostaria de tecer um comentário.

Destarte o fato de as queimadas na Amazônia serem um problema real que deve ser combatido, isso sem entrar em questionamentos de “onde isso começou” ou se “a culpa é do Bolsonaro ou não”, o que mais grita aos olhos é a MANIPULAÇÃO.

O termo fake News, tão em voga, tão na moda, nos remete a conteúdo deliberadamente falso criado para iludir o leitor/espectador, porém, a imprensa tradicional, há séculos, é mestre na MANIPULAÇÃO da informação.

Fazem isso de forma sutil, basta uma palavra, um monossílabo, uma vírgula, e todo um conteúdo é arranjado e rearranjado, tirado de contexto, colocado em outro, posto fora de tempo, ou em um tempo que lhe interesse, para se transmitir uma informação que NÃO EXISTE – É EXATAMENTE O CASO, este é um exemplo que pode ser chamado tranquilamente de “clássico” da manipulação jornalística.

Chris Cassidy é astronauta, ex fuzileiro-naval, um apaixonado pela sua profissão, e atualmente tem sua missão na Estação Espacial Internacional (ISS sigla em Inglês). Costumeiramente tira fotos (belíssimas) de nosso planeta do seu ponto de vista singular.

Cavalheiro e diplomata costuma saudar aos moradores dos locais dos quais faz as fotos do alto e posta em suas redes sociais. Em especial do Brasil.

No dia 27 de agosto tirou fotos do litoral de São Paulo e postou em seu Twiter “Hello to all my friends in São Paulo!”, nenhuma outra palavra ou foto além disso, o twit está aqui em baixo para quem quiser conferir.

De fato, Cassidy no dia 20 de agosto postou uma foto da região amazônica e comentou: “The haze we see over the Amazon is actually smoke from the vast burning of the region. In the center of this photo you see a massive concentration of smoke. #savetheamazon #savetheplanet”.

Obviamente é uma pessoa preocupada com o meio ambiente e com a o estado da floresta amazônica, obviamente, não poderia deixar de ser para alguém, como disse antes, que vive sob uma perspectiva singular de nosso mundo.

Porém fica evidente na matéria publicada pelo UOL (que faz parte do grupo folha) o objetivo de “enviesar” o post do astronauta. Ele (o UOL) inverte a beleza e a gentileza com que Cassidy se refere ao Brasil e seu povo, para levar-nos a crer que, fora sua preocupação, milita a uma causa afeta aqueles que politicamente o UOL se alinha.

A mente do leitor “segue” a ideia proposta sublinearmente e ira automaticamente fazer conexão com as críticas à atuação do presidente Bolsonaro na questão amazônica.

Em que pese, não interessa aqui e nem preciso tecer comentário acerca disso, me chama atenção a manipulação.

Em último caso, torce a ordem das palavras, seu contexto, sua percepção, ativa pontos psicológicos específicos, para “ligar” SUAS ideias à fatos estanques e modificar a forma como a informação será apreendida pelo público.

É bem mais sutil, E BEM MAIS PODEROSO, no intuito de manipular a percepção da massa, que fake news criadas deliberadamente e facilmente desmentidas.

Mas não deixa de ser uma NOTÍCIA FALSA, uma FAKE NEWS, pois Cassidy em momento algum transpareceu, mesmo que sutilmente esse viés. Pelo contrário, foi humano, humanista, apolítico, gentil e diplomático, o UOL deturpou suas palavras.

Daí me resta a pergunta: será que o STF enquadra o UOL no seu inquérito?

 

Tiago Lucero é Antropólogo formado pela Universidade de Brasília, estudou Sociologia, Economia e Direito, é especialista em antropologia econômica.

As ideias do autor não expressam necessariamente as opiniões do BSB TIMES.

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