Caiado vai dar apoio pra disputar prefeitura de Goiânia, quem bancar sua reeleição em 2022

Ronaldo Caiado: estrategista político dos mais hábeis | Foto: Reprodução Twitter

Vanderlan Cardoso saiu na frente e luta pelo apoio do governador. Maguito Vilela depende do aval convicto de Iris Rezende

A política, como a vida, funciona de acordo com duas lógicas. A lógica da emoção e a lógica da razão. Ao final, depois do “choque” ou “conciliação” das duas, costuma prevalecer, se a vaidade for escoimada, a lógica da razão.

No momento, há emoção em jogo na formatação das alianças na disputa para a Prefeitura de Goiânia? Pouca, quase nenhuma.

A lógica que está ou vai prevalecer é a da razão. Portanto, pode-se sugerir que há dois quadros políticos básicos — conectados a um terceiro.

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Primeiro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, por uma questão, insista-se, de lógica, a lógica da razão, não vai fazer nenhum compromisso a respeito da disputa pela Prefeitura de Goiânia que não esteja conectado à obtenção de apoio para sua reeleição em 2022. Não seria racional emprestar apoio agora e nada receber em troca amanhã.

Trata-se de uma lógica capital, e de natureza republicana. Está-se trocando apoio político — o que é absolutamente legal e, igualmente, legítimo.

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Segundo, o senador Vanderlan Cardoso pode obter o apoio de Ronaldo Caiado para prefeito da capital. Não há empecilho pragmático e ideológico. O governador e o ex-prefeito de Senador Canedo são dois políticos liberais e adeptos da modernização.

Senador Vanderlan Cardoso: pré-candidato do PSD | Foto: Divulgação

Mas precisa-se, digamos, de uma carta de intenção — quer dizer, da lógica da razão. O que se discutiu até agora diz respeito a Vanderlan Cardoso disputar a prefeitura com um vice apoiado por Ronaldo Caiado. Como se sabe, em geral vice não manda praticamente em nada. É uma figura, por vezes, decorativa, sobretudo se o titular do Executivo for excessivamente centralizador.

O que se quer de Vanderlan Cardoso é que atraia o PSD para o apoio à reeleição de Ronaldo Caiado em 2022. Entretanto, na conversa com o governador, na semana passada, o presidente do partido, o ex-deputado Vilmar Rocha, foi peremptório: o acordo de Goiânia, com o senador candidato e um vice do Democratas (ou de outro partido da base governista), não implica, de maneira automática, em acordo para 2022. A sinceridade de Vilmar Rocha — que poderia mentir e descumprir o acordo em 2022 —, se agradou, por mostrar seriedade, não viabilizou um acordo que estava praticamente acertado.

Vilmar Rocha disse, sem usar as palavras aqui mencionadas, que cada membro do PSD é importante, mas que nenhum deles está acima do partido e de seus líderes. A franqueza travou um possível acordo do governismo com Vanderlan Cardoso? Ainda não. A aliança ainda é possível e novas conversações serão estabelecidas. Há interesse por parte do governo, desde, insista-se, que se vincule 2020 a 2022.

Atrair Vilmar Rocha — além de Vanderlan Cardoso — é interessante para Ronaldo Caiado também por outra razão. Há a possibilidade de, junto, chegarem Jalles Fontoura, Otavinho Lage, Helio de Sousa e Oton Nascimento, e mais o deputado federal Francisco Júnior. O grupo de Vilmar Rocha extrapola o PSD. Sua aliança é histórica e sólida.

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Terceiro, há a lógica da possível cooperação com o MDB. O pré-candidato do emedebismo a prefeito de Goiânia, Maguito Vilela, se quiser obter o apoio de Ronaldo Caiado, precisa examinar, com lupa, duas lógicas: a da emoção e a da razão. Ronaldo Caiado é aliado e amigo de Iris Rezende — os dois se uniram, de maneira sólida, com alguns objetivos. Um deles a devastação do tucano-marconismo, e obtiveram êxito em 2018. Mas, por certo, acreditam que é preciso sedimentar a vitória, conquistando mais terreno.

Iris Rezende e Maguito Vilela: o segundo depende muito da convicção do primeiro para ampliar sua base político-eleitoral em Goiânia | Foto: Jornal Opção

Para ganhar em 2022, minando de vez o tucano-marconismo, é melhor compor com quem: Vanderlan Cardoso ou Maguito Vilela? Aí entra a lógica da razão. Iris Rezende e Ronaldo Caiado — repita-se: são aliados e amigos — certamente vão escolher o projeto que sedimentar e expandir o avanço conquistado em 2018. Um irista disse ao Jornal Opção: “O MDB tem capilaridade eleitoral em todo o Estado e, por conseguinte, controla uma máquina forte. Já o PSD é circunscrito a algumas cidades” (a ressalva é que Vanderlan Cardoso é um nome forte tanto para prefeito de Goiânia quanto para o governo do Estado, e tem forte apelo no meio evangélico).

Há uma diferença: se o acordo for fechado por intermédio de Iris Rezende, tendo o seu aval, o MDB vai compor com Ronaldo Caiado para 2020 e 2022. Sem resistências substanciais. Mas, repita-se, sem o aval de Iris Rezende, o principal interlocutor do governador, nada feito. O irismo tem resistência ao vilelismo, sobretudo ao ex-deputado federal Daniel Vilela, mas, a se prevalecer a lógica da razão, há possibilidade de composição.

A chave da questão é 2022. Leva o apoio do governador Ronaldo Caiado o postulante que se comprometer com sua reeleição. É a lógica da razão.

Reprodução | BSB TIMES [Jornal Opção]

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