O fim do Brasil: o que significa o STF mandar soltar um traficante

O ministro e o bandido - o Brasil acabou

Por Tiago Lucero

A cena é clássica do cinema hollywoodiano, o bandido e seus comparsas tramam o crime, um vira pro outro e pergunta: “o quê você fará depois (do crime)?”, e o bandido responde: “vou para o Rio”.

Isso (essa percepção mundial de que o Brasil é lugar para bandidos) não se deu por acaso, foi construída através dos anos por recorrentes casos bem sucedidos de bandidos que passam incólumes pela balança da justiça no país.

Mas dessa vez, dado o momento, dada a altura de onde veio a “ordem para soltar”, se analisando “quem” mandaram soltar, a coisa pode ser diferente, a coisa pode ter chegado a um limite.

Alguém poderia lembrar Marco Aurélio que, ademais as letras da lei, por princípio legal, o processo somente existe para dar consecução à justiça, mas, esqueça questões de direito, ilações encima de textos legais mal escritos aprovados por assembleias de suspeitos e suas interpretações feitas por cortes supremas esquizofrênicas, não vale a pena discutir o caso nesses tecnicismos, não explica nada do fato, o fato de que um notório e perigoso bandido foi solto por preciosismo de um ministro da suprema corte.

Aliás, estes tecnicismos insanos, essa metalinguística estatal, é fruto de uma das raízes mais profundas da constituição da sociedade brasileira, que nos condena a esse eterno correr atrás do rabo, a fidalguia. Foi dessa prática lusa que nasceu essa nossa confusão entre autoridade e poder de império, onde funcionários públicos acreditam, e são tidos, como semideuses, detentores do direito de rezar sobree a vida e a morte.

De fato isso elucida, joga nos holofotes, uma questão que qualquer sociólogo sério, que leu o mínimo de sociologia poderia, e deveria, falar sobre o Brasil: é disfuncional, e sociedades disfuncionais tendem a ruir.

É isso que essa história nos mostra de forma nua e crua – o Brasil acabou!

As instituições não funcionam.

O governo não consegue governar.

O congresso não legisla.

O judiciário não julga.

O Brasil subverteu, levou ao limite a divisão tripartite de Montesquieu e agora se vê perplexo diante da monstruosidade que criou – e, a verdade seja dita, não sabe o que fazer.

E a verdade é essa: o Brasil acabou, passa a régua e fecha conta.

Tiago Lucero é Antropólogo formado pela Universidade de Brasília, estudou Sociologia, Economia e Direito, é especialista em antropologia econômica.

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