Nos trilhos do DF e Goiás: Expresso Pequi, um trem rápido conectando Brasília e Goiânia em 1 hora

É um sonho antigo, uma nova ferrovia, chamada de “Transpequi” (ou Expresso Pequi), ligando Brasília e Goiânia. São mais de 27 anos desde a última viagem de um trem de passageiros e 20, de espera pela volta do serviço.

Nessas duas décadas, governadores goianos e brasilienses fizeram promessas de construir um sistema ferroviário moderno para ligar as unidades federativas. Gastaram dinheiro público em 10 excursões ao exterior com comitivas, afim de conhecer os trens rápidos que rodam por lá. Destinaram ao menos R$ 10 milhões a estudos de viabilidade de projetos, que atualmente seguem parados em repartições públicas. Propagaram parcerias com investidores estrangeiros, que nunca vingaram. Também apostaram em ajuda do governo federal e de bancos estrangeiros. Enfim, um projeto que não sai de sua fase de estudos.

A ideia desse projeto vem sendo discutida a muito temo e no dia 2 de junho de 2016 a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres divulgou os estudos de viabilidade do projeto. O documento previa mais de 40 milhões de passageiros transportados no primeiro ano de operação, hipótese considerada otimista. O custo total do projeto, segundo os estudos, deveria atingir R$ 7 bilhões. A conclusão total do projeto era para ser até o fim desse ano de 2020.

Pois bem, aqui estamos e o sonho continua sendo um sonho. Tudo poderia ser diferente caso tivesse se concretizado o interesse do grupo coreano A’REX, braço operador de um consórcio de empresas coreanas que exploram uma linha de média velocidade entre Seul e os aeroportos internacionais. Mas nada disso aconteceu, deixando o projeto apenas nos estudos de viabilidade técnica e econômica.

O percurso desse trem terá um total de 207 quilômetros, pouca coisa a mais do que o trajeto rodoviário atual que é de 202Km . Será percorrido a uma velocidade média de 160 km/h, ao custo médio de R$ 60. O preço é similar ao praticado pelas empresas de ônibus em viagens expressas, e cerca de 50% mais alto que a passagem de viagens paradoras. A viagem está sendo prevista para durar 1h em trens expressos ligando de ponta a ponta as duas capitais.

A viagem entre Brasília e Goiânia, hoje, é feita entorno de 45 minutos em voo direto, descontado o tempo no aeroporto. Já por ônibus são 4 horas, com paradas, sem trânsito. De carro é possível percorrer todo o trajeto entorno de 2h e meia.

O estudo da ANTT custou R$ 5,5 milhões, parcialmente custeados por um contrato com o Banco Mundial, e aponta viabilidade técnica, econômica, socioambiental a jurídico-legal para o projeto. Os R$ 7 bilhões serão repartidos entre os governos, federal, do Distrito Federal, de Goiás e parceiros privados.

O Trajeto

O projeto em análise pela ANTT e pelos governos locais prevê estações em Goiânia, Anápolis, Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas e Brasília. A ideia é reformar e revitalizar a Rodo ferroviária, que deixou de receber transporte de passageiros e, hoje, abriga apenas órgãos administrativos do governo. Local que já deveria estar em operação servindo ao trem inter-metropolitano ligando Brasília a região sul.

Os técnicos estudam a possibilidade de uma sexta estação em Ceilândia, mas o local exato ainda não foi definido. A ferrovia será construída, praticamente, “do zero”, sem aproveitar nenhum trecho de linha férrea que já exista na região. Ela aproveitará apenas a explanada ferroviária onde está instalada a Estação Rodoferroviária de Brasília.

O projeto inicial previa o compartilhamento dos trilhos entre vagões de passageiros e composições de carga, como forma de ajudar a escoar a produção agrícola da área, mas a ideia tem sido de apenas o transporte de passageiros, “por enquanto”.

Detalhes técnicos dos trens serão definidos mais claramente na licitação, mas a ANTT diz que o conforto proporcionado aos passageiros e o desempenho das máquinas será similar aos dos trens europeus. Veja abaixo o mapa do trajeto disponibilizado pela ANTT.

Sul Coreanos já demonstraram interesse no projeto

O interesse do grupo coreano A’REX já foi feito formalmente ao governo brasileiro. Mas para levar a conversa adiante, o grupo pedia adaptações na modelagem do empreendimento.

A mais significativa refere-se a um aporte total de cerca de R$ 3 bilhões do setor público. Este valor seria dividido ao longo dos 30 anos de concessão, para garantir a viabilidade econômica à ligação ferroviária para o transporte de passageiros. O investimento total no trem, o que inclui obras civis, material rodante e sistemas de comunicação, estaria pela casa dos R$ 8 bilhões, segundo os coreanos.

Os coreanos apostavam na parceria público-privada (PPP), única maneira do projeto ser efetivado. O diagnóstico foi apresentado à ANTT, que após ter feito os estudos básicos, abriu uma tomada de subsídios para receber contribuições. Além claro de mudanças no projeto.

Na primeira delas, o projeto proposto pelo grupo coreano descarta o transporte de cargas. Além disso, prevê duas paradas intermediárias: Anápolis (GO) e Samambaia (DF).

O valor final do bilhete, antes estimado em R$ 60 pela ANTT, na previsão do grupo A’REX deveria girar em torno de R$ 100, na viagem expressa de ponta a ponta.

O trem teria velocidade de 250 km/h, ao invés de 160 km/h proposto inicialmente. E os coreanos ainda miram em receitas adicionais, como explorar as áreas das estações com atividades comerciais e imobiliárias, de acordo com o que a legislação já permite.

Mas é importante frisar que os governos anteriores fracassaram em todas as tentativas anteriores de leiloar ferrovias, quando sofreram severas críticas do mercado, o que justificou a falta de interessados nos projetos lançados. Vários modelos foram testados desde o governo Lula, passando por Dilma e Temer, mas nada de fato avançou.

É agora, no Governo Bolsonaro, que o Brasil definitivamente parece estar entrando de vez nos trilhos. A malha ferroviária brasileira, que antes estava estagnada em pouco menos de 28 mil quilômetros, segue em forte expansão. A conclusão da Ferrovia Norte Sul, que colocará o Brasil nos trilhos de norte a sul, leste a oeste novamente, é uma realidade. Essa ferrovia, começada em 1989 e que se arrastou por décadas, está entrando em plena operação. Em 2021 estará 100% operacional, com a entrega do ultimo trecho que liga Goiás a São Paulo agora no fim do ano. A Ferrovia Transnordestina que começou mau nos governos petistas, ficando paralisada por anos, está com suas obras a todo vapor e deve ser concluída até 2022. Trechos desativados de linhas férreas como nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul já estão com projeto em andamento para reativação. Novos projetos de trens estão saindo do papel, como o Trem Inter-Metropolitano, Trem Inter-Cidades dentre outros projetos de trens regionais e urbanos (este por meio do uso de VLTs).

O Expresso Pequi, ou Transpequi

A história envolvendo a ferrovia na região não é tão recente e sua discussão vem da época dos governos do Sr. Joaquim Domingos Roriz. Aliás o nome Expresso Pequi surgiu quando esse assunto ganhou uma dimensão maior na candidatura do mesmo em 2004. Roriz chegou a fazer uma viagem a Europa afim de conhecer melhor como funcionam os trens de passageiros de médio e longo percursos naquele continente.

Após quase 20 anos de discussões em torno do transporte, conhecido como Expresso Pequi ou Transpequi, a expectativa é que o leilão saísse em breve. Empresas interessadas pareciam não faltar. Mas… Até hoje não passou de um sonho que permanece numa fase de estudo, já concluída vale ressaltar.

Será que um dia Brasília estará novamente nos trilhos? Ou tudo não passará de um mero sonho, sonhado por muitos e nunca realizado por quem deveria fazê-lo? Será que nos trilhos do DF somente o sacrificado Metropolitano em forma de Y e em Goiás apenas uma volta ao passado na centenária linha da antiga Estrada de Ferro Goyaz? Perguntas, estas, que ainda seguem sem resposta.

No último capítulo desta série matérias sobre a ferrovia no DF e Goiás falaremos do projeto de um trem turístico que percorrerá trechos goianos da antiga Estrada de Ferro Goyaz. Projeto, este, que está bem adiantado em sua implantação. Já possui autorização para tráfego concedida pela ANTT e estações restauradas.

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