O homem que começou a Primeira Guerra Mundial

Gavrilo Princip: o homem que deu o tiro fatal que resultou na Primeira Guerra Mundial.

 

É importante destacar, todavia, que muitos dos acontecimentos que se alinharam para o sucesso de seu atentado foram fruto de mero acaso.

Gavrilo Princip tinha apenas 19 anos quando puxou o gatilho que terminou por causar o conflito de proporções globais que conhecemos hoje como Primeira Guerra Mundial. O estudante sérvio não era um atirador profissional – e ainda assim, seus dois tiros foram certeiros.

Naquela manhã, ele conseguiu assassinar não apenas o herdeiro do trono Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, mas também sua esposa, a arquiduquesa Sofia da Baviera.

É verdade que Princip fazia parte de uma organização terrorista chamada Mão Negra, em que conspirou com outros sete jovens bósnios, planejando a morte do herdeiro do poderoso Império Austro-Húngaro. Todavia, a presença da comitiva real no local em que estava no momento dos tiros fatais não havia sido planejada. Gavrilo, portanto, apenas aproveitou a oportunidade inusitada.

Mudança de planos 

Francisco Ferdinando estava fazendo uma visita à cidade de Sarajevo, na região que hoje corresponde à Bósnia, quando sofreu um atentado. Não estamos falando aqui do que tirou sua vida, todavia, tornando-se um acontecimento histórico, mas sim o que aconteceu mais cedo no mesmo dia, quando uma granada foi jogada na direção do carro real.

Francisco Ferdinando / Crédito: Wikimedia Commons

O ataque falhou, e o explosivo atingiu, em vez disso, cidadãos que estavam assistindo a passagem da comitiva. Foi então que o arquiduque e sua esposa insistiram para que houvesse uma mudança no trajeto, e eles dessem uma passada no hospital onde os feridos da tentativa de atentado estavam sendo tratados. Depois, podiam voltar ao palácio.

Mais tarde, essa decisão revelaria ser uma grande ingenuidade. Isso porque aquela bomba não havia sido uma mera casualidade – pelo contrário, havia um contexto maior por trás dela que acabou passando batido para os nobres. Era dia 28 de junho, um dia de valor simbólico para os sérvios pois marcava o aniversário de uma data em que eles haviam perdido a independência para os turcos.

Foi então que, na volta do hospital, outro incidente aconteceu: o motorista da comitiva acabou pegando o caminho errado de volta ao palácio. Não por culpa dele, e sim por um erro de comunicação. Então, enquanto o carro real era empurrado para outra direção (porque na época não existia a marcha ré), surgiu a figura do jovem Gavrilo Princip, trazendo uma pistola de calibre baixo.

“Ninguém trabalhou tanto para que o atentado fosse bem sucedido como as próprias vítimas”, resumiu a pesquisadora Rebecca West, que entrevistou diversas testemunhas do atentado, segundo foi divulgado pelo El País em 2014.

Já o autor bósnio Velibor Colic, que também escreveu sobre o ataque, disse que “Foi um complô muito bem organizado, mas também muito caótico, no qual o azar foi o ator principal”. Sua fala também foi publicada pelo portal espanhol.

O assassinato 

Arquiduque e esposa pouco antes dos tiros / Crédito: Wikimedia Commons

Era onze da manhã, e Gavrilo estava em uma pastelaria quando a comitiva levando o herdeiro do Império Austro-Húngaro começou a passar por ele. Mais que isso: quando o carro real praticamente parou na sua frente, começando a ser empurrado em outra direção de forma manual.

Percebendo que aquela era sua maior chance de seguir em frente com o plano de assassinar o nobre, o jovem estudante sérvio puxou sua pistola FN Model 1910, no calibre .380. Segundo revelou mais tarde, ele não teria nem mesmo mirado antes de atirar. Pelo contrário: olhou para o outro lado. Apesar de tudo isso, todavia, foi capaz de balear fatalmente tanto o arquiduque quanto sua esposa.

Ferdinando foi atingido na jugular, já Sofia foi baleada no abdômen, com ambos morrendo dentro de meia hora. As últimas palavras do arquiduque foram em resposta ao conde que viajava com eles. O homem perguntou “Vossa Alteza está sentindo muita dor?”, ao que Francisco respondeu “Não é nada, não é nada”, logo antes de perder a consciência.

37 dias depois, teria início a Primeira Guerra Mundial. Já Princip morreu na prisão alguns anos depois, sofrendo de tuberculose.

FONTE: AVENTURAS NA HISTORIA

Rogério Cirino de Sá Ribeiro, goiano, 51 anos, casado, três filhos. Bacharel em Administração de Empresas pela UNIPLAC. Licenciado em História pela UPIS e MBA em Gestão de Projetos pela ESAD. Empresário do audiovisual desde 2012.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui