Bem-vindo a 2021, a era da pós-persuasão!

Esse termo foi criado por Steve Bannon, arquiteto da surpreendente campanha Trump de 2016, em um documentário da PBS Frontline intitulado America’s Great Divide.

Falando nos dias pré-fatídicos do início de 2020, Bannon afirmou que a era da informação nos torna menos curiosos e dispostos a considerar visões de mundo diferentes das nossas. Temos acesso a praticamente todo o conhecimento e história acumulados da humanidade em dispositivos em nossos bolsos, mas a simples sobrecarga de informações nos faz nos fechar em vez de nos abrir.

Qualquer pessoa que queira mudar de ideia pode encontrar todo um universo de pontos de vista alternativos online, mas muito poucas pessoas o fazem (especialmente após uma certa idade). Para Bannon, isso significava que a campanha de Trump, e a política em geral, foi mais sobre mobilização do que persuasão.

Como sempre podemos encontrar fontes de mídia que confirmam nossa perspectiva e preconceitos – e rejeitar aquelas que não confirmam – a noção de política por argumento ou consenso está quase totalmente perdida. E não importa qual seja nossa perspectiva política ou cultural, há alguém criando conteúdo sob medida para se adequar a nós como consumidores estratificados. Assim, esquerdistas, conservadores e pessoas de todas as outras faixas ideológicas vivem em mundos de mídia digital muito diferentes, mesmo quando vivem em proximidade física.

Essa quantidade esmagadora de verborragia segregada e organizada chega até nós todos os dias, das notícias 24 horas ao Facebook, Twitter e YouTube. Plataformas idiotas como TikTok e Discord competem com videogames pela atenção de nossos filhos. Tudo isso nos deixa entorpecidos e exaustos. Nossa capacidade de concentração se deteriora. Aos poucos, perdemos nossa aptidão para o pensamento profundo e a leitura séria. Tentamos substituir sabedoria e compreensão por dados e fatos.

Mas, como as informações são tão abundantes e imediatamente disponíveis, elas valem cada vez menos. A informação é barata, literalmente.

Para nossos avós, o conhecimento era analógico e tinha um preço. Os guardiões do portões, na forma de mídia, universidades, bibliotecas e livrarias, atuavam como editores e filtros. Cid Moreira, o propagandista mais confiável do país, entregava uma versão da notícia todas as noites. O jornal local fazia o mesmo todas as manhãs. Mesmo há apenas trinta anos, muitas vezes não era uma tarefa fácil, e não havia um custo pequeno, obter livros e literatura que não eram facilmente encontrados em bibliotecas locais ou universitárias.

Se alguém hoje deseja ler economia austríaca, por exemplo (um bicho-papão para Bannon), pode fazê-lo virtualmente sem nenhum custo além do próprio tempo. Não é nem preciso sair de casa. O smartphone na palma da mão contém uma vida inteira de leitura e aprendizagem apenas nessa disciplina. Sem livros físicos, sem faculdade, sem mensalidade e sem necessidade de bibliotecário.

Então, por que mais pessoas não fazem isso? A resposta curta é: a maioria das pessoas está além da persuasão.

Isso não significa que devemos nos render às forças do analfabetismo econômico ou desistir de tentar conquistar corações e mentes para o lado da liberdade política. Ao contrário, devemos redobrar nossos esforços para cultivar qualquer pessoa interessada na sociedade civil, economia real, mercados, propriedade e paz – especialmente aqueles com menos de trinta anos. Mas este não é um jogo de números. Devemos nos concentrar naqueles que podem ser alcançados, não em alguma maioria mítica. Nossa tarefa é alcançar algumas pessoas de maneira restrita e profunda, não a maioria das pessoas superficialmente. Estamos em contraste com a verborragia e opostos à superficialidade e antiintelectualismo de nossa época. Mobilizar poucos é muito mais importante e eficaz do que tentar persuadir muitos tolamente.

H.L. Mencken estava certo sobre acreditar na liberdade, mas não acreditar nela o suficiente para forçá-la a alguém. Assim como nos opomos ao intervencionismo estrangeiro, devemos parar de tentar reconstruir as cidades e estados que não podem mais ser ajudados. Precisamos reconhecer que centenas de milhões de pessoas provavelmente estão além de qualquer persuasão na direção de visões políticas ou econômicas sensatas. Outros milhões são socialistas engajados que prontamente concordariam em nacionalizar indústrias inteiras e redistribuir radicalmente a propriedade. Por definição, essas visões não são razoáveis; então, como usar a persuasão quando falta razão?

O Brasil pós-persuasão exige que pensemos em como nos separar e nos desligar politicamente de Brasília. Nosso futuro imediato reside no federalismo rígido, que se encaixa com a secessão suave que já está acontecendo, enquanto milhões de pessoas votam com os pés. Mobilização e separação, não persuasão, é o caminho a seguir.

FONTE: Instituto Rothbard

Rogério Cirino de Sá Ribeiro, goiano, 51 anos, casado, três filhos. Bacharel em Administração de Empresas pela UNIPLAC. Licenciado em História pela UPIS e MBA em Gestão de Projetos pela ESAD. Empresário do audiovisual desde 2012.

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