O leite condensado, a lagosta e a taxa de cinismo

Por Rogério Cirino

Vou começar esse texto reproduzindo as palavras de uma certa licitação para a compra de vinhos e lagostas por um certo supremo tribunal.

Vejamos a descrição acerca dos vinhos:

“(…) tenha ganhado pelo menos 4 (quatro) premiações internacionais (…) O vinho, em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de 12 (doze) meses”.

A lista não para por aí, ela é longa, e parece servir ao deleite daquele que se pôs a escrever o edital, tamanho “conhecimento de causa”, tamanha “sofisticação” na descrição das necessidades dos “supremos”.

Ao tempo se falou sobre o caso? Com certeza. Com tanta veemência? Com tanta eloquência? Tenha absoluta certeza que não – tanto que há mais uma pergunta: deixaram eles de fazer a licitação?

E a ressonância disso pelos meios de reprodução de notícias de certos partidos da esquerda brasileira que agora retundam “leite condensado, leite condensado”????

Nada, absolutamente nada.

E note que não colocamos seus “apêndices”, enfileirados na mídia tradicional – ouvi UOL???

Cínico não!? A mão que daqui bate é a mesma que a certos afaga. A voz que se arroga agora moralidade naquele tempo fora tão “en passant”  – puro cinismo.

Mas pelo menos nos deixaram a possibilidade de mensurar com precisão o cinismo, algo inédito.

Vejamos, quantos servidores têm o STF? Vos digo 1.783 servidores, inclusos os 11 supremos.

E o executivo federal? Eu também sei, você sabe? São 1.393.086.

Desses que 334.500 são militares, inclusos os soldados, meninos conscritos tirados de suas mães para se debater em armas de prontidão para defender um país.

Para estes uma boia muito menos sofisticada que os nossos gloriosos supremos, ou daquela que se servem nos colóquios de certas fundações e partidos… Mas a esses meninos, algo para adoçar a boca ao final da refeição é um luxo supérfluo, não!?

Bem, para terminar é possível se extrair, em uma conta rápida a “taxa de cinismo”: foram R$ 10,77 por cabeça em leite condensado, e R$ 616,94 em lagosta e vinhos.

Se bem que, neste último caso, é muito pouco provável que dos 1.783 servidores do STF mais que algumas dezenas tenham provado dessas caras delícias, o que elevaria muito, mas muito mesmo a “taxa de cinismo” apurada.

Rogério Cirino de Sá Ribeiro, goiano, 51 anos, casado, três filhos. Bacharel em Administração de Empresas pela UNIPLAC. Licenciado em História pela UPIS e MBA em Gestão de Projetos pela ESAD. Empresário do audiovisual desde 2012.

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