O Efeito Mandela

Efeito Mandela: significado, origem e 10 exemplos curiosíssimos dessa teoria

O Efeito Mandela é uma teoria que exemplifica a origem e o mecanismo de funcionamento de memórias coletivas falsas. Por exemplo: algumas pessoas se lembram de ter assistido ao filme Shazaam nos anos 90, estrelado pelo comediante norte-americano Sinbad. Mas o fato é que esse filme jamais foi gravado.

Sinbad Wins April Fools' With Footage of Fake 'Shazaam' Film - Rolling Stone

No início dos anos 2000, Fiona Broome, escritora e pesquisadora norte-americana de fenômenos paranormais, introduziu o assunto numa edição da Dragon Con, convenção nerd que acontece anualmente em Atlanta, nos EUA. Nessa conversa, Broome descobriu que ela não era a única que pensava que Nelson Mandela havia morrido na prisão nos anos 80. Outras pessoas que participavam do papo compartilhavam dessa mesma lembrança.

Mandela saiu da cadeia em 1990 e foi eleito presidente da África do Sul em 1994. Portanto, não morreu nos anos 80, como algumas pessoas pensam, mas em 2013, aos 95 anos.

Como um grupo de pessoas pode se lembrar de algo que nunca aconteceu?

Apesar de Fiona Broome tentar fundamentar sua teoria em universos paralelos e outras teorias fantásticas, a psicologia já estuda a criação de memórias coletivas falsas há décadas.

Um dos primeiros estudos realizados sobre o assunto foi feito nos Estados Unidos no ano de 1954. Em um jogo de futebol americano quatro anos antes, duas universidades rivais se enfrentaram para uma partida que foi descrita como extremamente violenta, onde dois jogadores saíram lesionados do campo. O estudo psicológico realizou questionários com os alunos das duas universidades, no qual foi revelado que a maneira como eles se recordavam do jogo dependia da universidade em que frequentavam.

Para os psicólogos, o Efeito Mandela é exatamente isso: ele ocorre quando um grupo de pessoas acredita em algo que nunca aconteceu ou aconteceu de uma forma diferente devido à fragilidade da nossa memória. Ela pode sofrer distorções devido a diversos fatores, entre eles, o reforço social em que nos encontramos.

Muitos exemplos do Efeito Mandela estão próximos do que aconteceu na realidade, mas em uma versão distorcida. Uma maneira de pensar sobre isso é com o clássico jogo “telefone sem fio”. A primeira pessoa em uma fila sussurra algo no ouvido da segunda, que vai repassar a informação para a terceira e assim por diante. A última pessoa é a encarregada de revelar a informação original. Geralmente, esta informação será um pouco diferente da original, porque ela ouviu ou se lembrou da informação de forma distorcida.

Alguns médicos dizem que o Efeito Mandela é uma forma de confabulação. Um sinônimo para confabulação pode ser “mentira honesta”. Isso quer dizer que uma pessoa cria uma falsa memória sem a intenção de mentir ou enganar outros indivíduos. Essas pessoas estão, na realidade, tentando preencher lacunas em suas próprias memórias.

A confabulação é utilizada pelo nosso cérebro para “lembrar” do que achamos que aconteceu, mas não necessariamente a realidade.

Outros exemplos famosos do Efeito Mandela

1. Nelson Mandela morreu nos anos 80

Foi daí que surgiu a teoria. Tanto que ela acabou levando o nome do político sul-africano. Teoria da conspiração? Desinformação? Ignorância política? Quem acredita na teoria realmente acha que Nelson Mandela morreu enquanto estava na prisão, nos anos 80. Mas isso não teria acontecido na nossa realidade.

2. Leonardo DiCaprio ganhou um Oscar antes de 2016

Leonardo DiCaprio

Você acha que o Leonardo DiCaprio ganhou seu primeiro Oscar só em 2016, quando foi premiado pela atuação no filme O Regresso? Há pessoas que dizem se lembrar de outros prêmios antes desse. Seria mais uma experiência de Efeito Mandela?

3. O Pensador, de Auguste Rodin

O Pensador Rodin

A mão está apoiada na testa ou no queixo? Algumas pessoas juram se lembrar de que é na testa. Mero engano? Elas dizem que não. Talvez o escultor francês tenha esculpido assim numa outra realidade ou seja mais um exemplo de bug na Matrix, vai saber…

4. “Os fins justificam os meios”, como disse Nicolau Maquiavel

Algumas pessoas garantem ter lido essa frase no clássico O Príncipe, publicado pela primeira vez em 1532. A verdade, no entanto, é que Maquiavel nunca escreveu essa frase, embora ela possa ser usada para sintetizar alguns aspectos do seu pensamento político.

5. Looney Toons ou Looney Tunes?

Esse exemplo é dado pela própria Fiona Broome em seu site. A famosa série de animação norte-americana se chama Looney Tunes, embora muitas pessoas jurem de pés juntos que se lembram do segundo nome ser Toons. Seria o Efeito Mandela mais uma vez em ação?

FONTE: HIPER CULTURA

Rogério Cirino de Sá Ribeiro, goiano, 51 anos, casado, três filhos. Bacharel em Administração de Empresas pela UNIPLAC. Licenciado em História pela UPIS e MBA em Gestão de Projetos pela ESAD. Empresário do audiovisual desde 2012.

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