Le Brésil n’est pas um pays sérieux

Banco Central

Por Tiago Lucero*

Não, a frase não foi dita pelo generalíssimo De Gaulle, isso está fora de cogitação – a história já o provou.

Mas eu digo e repito: Le Brésil n’est pas um pays sérieux

Jarbas Passarinho ( como faz falta homens que pensam por aqui) certa vez ligou, antropologicamente, o “orgulho” com o qual os brasileiros se referiam ao suposto “insulto” a um esdruxulo espírito de vira-latas, que nos levava a empoar-nos todos ao nos referirmos a nós mesmos pelo suposto insulto do herói dos francos – “n’est pas um pays sérieux” – é gostoso até de falar.

Mas não vejo nisso simplesmente uma anomalia psico-social de nosso “ethos”, de nosso consciente coletivo, antes fosse. É uma dura (e triste) realidade – Le Brésil n’est pas um pays sérieux.

Hoje então, é tão evidente ” n’est pas um pays sérieux”, que nem precisaria ilustrar, mas acho que cabe questionar, e relembrar, os desavisados (e sínicos) propositais:

Como um país conseguiu esticar a corda dos limites institucionais da democracia representativa a tal limite que  para condenar UM NOTÓRIO BANDIDO não lhe restou outra opção senão torcer todas as amarras do Direito Penal estabelecido pelos milênios?

Isso já seria digno de total espanto, mas, fomos além:

Conseguimos retorcer toda a ciência de Kelsen para, pasme, libertar o mesmo ladrão.

Não existe lei, não existe Direito, não existe política ou qualquer instituto que conecte sociedade ao Estado – é uma mera Horda jogando bilhar com um simulacro da construção tripartite.

Le Brésil n’est pas um pays sérieux

*Tiago Lucero estudou Economia, Sociologia, Direito, é antropólogo especialista em antropologia econômica.

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