Ricardo Salles sai do ministério do Meio Ambiente

Investigado pelo STF por facilitação do contrabando de madeira da Amazônia, ex-ministro permaneceu dois anos e meio no cargo e fez gestão antiambientalista

Por Extra Classe

O advogado Ricardo Salles pediu demissão do cargo de ministro do meio ambiente. O desligamento foi apresentado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no final da tarde desta quarta-feira, 23. O ato de exoneração e a nomeação do ruralista Joaquim Álvaro Pereira Leite como novo ministro do Meio Ambiente foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União. Nomeado em 2019 como secretário da Amazônia e Serviços Ambientais, Leite é alinhado com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

No cargo desde o início do governo, em janeiro de 2019, Salles é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Em coletiva na saída do Palácio do Planalto, ele alegou motivos familiares para deixar o cargo e atribuiu as investigações a “ideias divergentes” que adotou na pasta. “Experimentei ao longo destes dois anos e meio muitas contestações, tentativas de dar a essas medidas caráter de desrespeito à legislação, o que não é verdade”, disse.

Contrabando de madeira

Ex-ministro tentou liberar madeiras apreendidas na maior operação da PF

Ex-ministro tentou liberar madeiras apreendidas na maior operação da PF

Foto: Exército Brasileiro/ Divulgação

Ricardo Salles é alvo de inquérito autorizado pelo STF a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) por obstrução às investigações sobre a maior apreensão de madeira feita no país. A suspeita foi levantada pela Polícia Federal. O ex-ministro nega as acusações.

No final de dezembro do ano passado, a Polícia Federal confiscou mais de 40 mil toras de madeira nativa extraída da Amazônia, operação que foi considerada a maior da história do país. O volume apreendido passou de 200 mil m3 de madeira, que foram localizadas na divisa entre os estados do Pará e do Amazonas.

A descoberta da carga se deu depois que uma balsa com documentação irregular foi encontrada em novembro, navegando no rio Mamuru, na área do município amazonense de Parintins. A partir daí, a Polícia Federal (PF) começou a investigar o movimento de madeireiros com a ajuda de imagens de satélite.

No início de abril, o então ministro esteve no Pará para fazer uma “verificação” da madeira apreendida. Depois de se reunir com madeireiros, ele criticou a operação da PF e afirmou que houve falhas na ação e que as empresas proprietárias das toras teriam razão para contestar a investigação.

No dia 19 de maio, a Polícia Federal deflagrou uma operação que teve como alvo o então ministro do Meio Ambiente, empresários do ramo madeireiro e servidores públicos, entre os quais o presidente do Ibama, Eduardo Bim. Os investigadores apuram suspeitas de exportação ilegal de madeira. A PF investiga desde janeiro deste ano suspeitas de crimes como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando.

Salles posou junto a toras apreendidas pela PF após se reunir com madeireiros suspeitos de crime ambiental

Salles posou junto a toras apreendidas pela PF após se reunir com madeireiros suspeitos de crime ambiental

Foto: Ministério do Meio Ambiente/ Divulgação

A investigação começou a partir de denúncias feitas por autoridades estrangeiras sobre suposto “desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira”. Salles teve quebrado seu sigilo bancário e fiscal à época. A operação batizada de Akuanduba (divindade indígena tida como protetora da boa humanidade) foi autorizada pelo STF. Em seu despacho, o ministro Alexandre de Moraes afirma que “os depoimentos, os documentos e os dados coligidos sinalizam, em tese, para a existência de grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais, o qual teria o envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro nessa Suprema Corte, no caso, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles; além de servidores públicos e de pessoas jurídicas”.

Além dessa operação, Moraes também suspendeu um despacho do Ibama (7036900/2020), de fevereiro de 2020, que autorizava a exportação de produtos florestais sem emissão de uma autorização mais rigorosa.

Segundo a notícia-crime apresentada ainda no ano passado contra Salles, arquivada em outubro e reaberta por Moraes, o despacho do Ibama teria “legalizado milhares de cargas que teriam sido exportadas entre os anos de 2019 e 2020, sem as respectivas documentações”. O ministro cita o termo cunhado por Salles: “passar a boiada” e conclui: “Esse referido modus operandi teria sido aplicado na questão das exportações ilícitas de produtos florestais”.

Rogério Cirino de Sá Ribeiro, goiano, 51 anos, casado, três filhos. Bacharel em Administração de Empresas pela UNIPLAC. Licenciado em História pela UPIS e MBA em Gestão de Projetos pela ESAD. Empresário do audiovisual desde 2012.

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