A CNN e os protestos em Cuba. Porque a imprensa (também) está em silêncio?

Imagem: cnnbrasil.com.br

Por Tiago Lucero*

Bem primeiro cabe responder à afirmativa da CNN (na imagem): NÃO, NÃO EXPLICA.

Falar em “crise econômica” é abrir caminho para a velha desculpa do embargo, e por a culpa nos americamos”.

Falar que a pandemia motiva os protestos é “alinhar” a triste realidade do povo cubano ao apocalipse midiático que a imprensa mundial preconisa, serve para fazer parecer que os problemas lá são como cá – é manipulação pura e simples (gestalt).

Sobre o real motivo que levou o povo cubano a se rebelar contra seus tiranos a imprensa se silencia.

O que realmente explica os protestos em Cuba é o fato de que as pessoas não suportam mais serem oprimidas por uma ditadura comunista!

E isso subverte a cosntrução largamente difundida de que a ditadura comunista em Cuba tem “coisas boas”. Não existe “ditadura do bem”! Difícil enfiar isso na cabeça?

O silêncio da esquerda é mais que previsível, senão as defesas abertas à ditadura comunista cubana, como bem expressou o ex-presidente e ex-presidiário Lula, que como todo bom marxista latino-americano, pôs toda a culpa do fracasso do regime nos americanos, segundo Lula Cuba seria “uma Holanda” se não fossem os Estados Unidos.

Cuba é uma ditadura, qual a dificuldade de a esquerda e da mídia em entener isso?

Mas porque do silêncio da imprensa?

Existe uma máxima na política que explica isso muito bem: “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” (mesmo que esse inimigo do meu inimigo seja o próprio mau encarnado).

É o caso da mídia tradicional: no afã de manter seus locus de micro-poder (e as bene$$es) que depende diretamente da sua simbiose ao establishment, establishment que hoje se traduz no “progressismo institucionalizado” (progressismo que, resumindo, nada mais que um socialismo revisado) se vê tendo de passar verniz junto aos marxitóides de plantão sobre a abjeta ditadura cubana, que, segundo cálculos bem rasos, já deve ter assassinado mais de 40 mil opositores ao longo de cinquenta manos de poder.

El paredón: segundo historiadores, mais de 40 mil pessoas foram mortas pelo regime comunista cubano por divergirem do governo

Como existirão aqueles que vão querer me calcinar por pôr em paralelo progressismo e socialismo, então vou abrir uma parte.

Se primeiramente o progressismo, enquanto filosofia política, se pautava por uma atitude humanista de respeito à diversidade e tinha a ação focada no conceito de um progresso a nível da aplicação das melhores formas sociais, científicas e econômicas para a universalização da dignidade, enquanto coisa institucionalizada se construiu na base de pensamento socialista-marxista, que se molda sobre uma espinha dorsal da ideia da dominação de classes, da mais-valia, da consciência de classes, etc., etc.

Para muitos esses conceitos ainda são objeto de debate sério, mas par mim não são, não existe cientificidade nessa construção, e no final se transmuta em uma estrutura de pensamento mágico, quase religioso – “socialismo cientifico” é objeto de estudo não estudo.

Certo é que nisso o progressismo hoje existe em total simbiose com o establishment, e é coisa muito mais estética que objetiva, se perdeu na construção de falácias em cima de falácias (lacração pura e simples) que só servem para sustentar atitudes arbitrárias, ao denuncismo generalizado e ao controle social possante – o progressismo é a “novilingua” de Orwell, e sua onipresença é o que nos transporta constantemente para “1984”.

No fim, o que nasceu como uma boa iniciativa acabou cooptado pela massa de relações que constituem o socialismo-marxismo internacional , que inexoravelmente têm de defender o “bastião da revolução cubana”, sob pena da congruência das ideias.

E aí reside o ponto de interconexão, o ponto de “comunhão”, entre a imprensa tradicional e o progressismo, que nos leva ao porque dessa ter de passar pano para a ditadura comunista cubana.

Enfim, dar luz à luta do povo cubano por liberdade, fazer do que está realmente acontecendo notícia, é evidenciar a incongruência que existe no discurso de quem “defende o direito de todos, mas não o de um”, do preço que a igualdade socialista/progressista cobra, pois só tem consecução se substituindo à liberdade…

E esse preço, quem o conhece, não quer pagar.

*Tiago Lucero é antropólogo formado pela Universidade de Brasília – UnB, estudou economia e Direito, e é especialista em antropologia econômica.

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