Ciro Gomes e a arte da auto sabotagem

Ciro versão 'Dragon Ball': uma caricatura de si mesmo - imagem: redes sociais / divulgação

De pretenso candidato da terceira via a uma caricatura de si mesmo, a campanha de Ciro Gomes faz água, e a culpa parece ser do próprio capitão do navio

Por Tiago Lucero

A campanha eleitoral para a presidência em 2022 foi uma das mais adiantadas da história, começou pra valer lá por meados do ano passado. Bolsonaro e Lula começaram a disparar seu arsenal midiático e se engalfinhar no discurso logo e outros pretensos candidatos tiveram de adiantar suas pré-candidaturas.

Nesse cenário Ciro parecia despontar como uma promessa: não tinha grande rejeição, seu discurso parecia mais ‘construtivo’ que dos outros candidatos, um currículo sólido, uma boa votação em eleições anteriores, contratou um dos mais reconhecidos marqueteiros do país, João Santana… a largada parecia boa.

Ele era a ‘pergunta sempre presente’ nos debates populares: “Será Bolsonaro, será Lula… e o Ciro, o que você acha do Ciro?”.

Mas assim que pôs sua campanha na rua (na verdade nas redes sociais), aquele que era apontado como o candidato que poderia convergir a terceira via, desabou. Dos 11 pontos percentuais que chegou a ter, hoje as pesquisas apontam algo próximo a 3% de intenções de votos.

 

Mas o quê aconteceu?

Bem em de pronto temos de lembrar do Ciro lá do começo do ano passado, mais comedido, mais assertivo, parecia seguir bem a cartilha nitidamente desenhada por Santana para alinhar sua persona à personagem que se queria fazer para as eleições.

João Santana tentou o posicionar como um “Biden”, alguém experiente e conciliador, alguém que ficaria longe (não simplesmente à margem) das figuras caricatas de Lula e Bolsonaro. A intenção era clara: posicionar Cirno no CENTRO, como uma figura potente que faria um contraponto a verborragia de direita ou de esquerda.

Mas, isso foi abaixo quando Ciro não conseguiu “segurar a onda”, começou a elevar o tom bater mais forte que o necessário e, principalmente, bater mais em Bolsonaro do que em Lula, e tencionar seu discurso levemente à esquerda (ou aquilo que as pessoas identificam como esquerda).

Ele se distanciou da figura de centro que se propunha, e que Santana provavelmente leu como sendo a persona ideal para o pleito que se aproxima: a figura do conciliador da terceira via, que despreza tanto um quando outro lado e esta sedenta de tranquilidade, coisa que nem Bolsonaro nem Lula parecem estarem dispostos a disponibilizar.

O certo é que hoje suas intenções de voto minguam, na corrida seu barco esta longe, quase no horizonte, e ele se tornou uma caricatura de si mesmo, emoldurado na pele do personagem que Santana queria criar, como seu avatar de Dragon Ball, que ele mesmo publicou nas redes sociais.

Moro agradece.

Tiago Lucero é antropólogo, sociólogo, estudou Economia e Direito, é especialista em antropologia econômica

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