Petróleo Dispara com Ataque Russo

Mas 3 Fatores Realmente Impactarão a Oferta

Artigo Ellen R. Wald em Inglês para investing.com

Diante da escalada da crise no leste europeu nesta manhã, após a Rússia invadir a Ucrânia, os preços dos barris de petróleo do tipo Brent e WTI ultrapassaram a marca de US$100 e devem continuar em alta.

Como a situação está mudando rapidamente, os investidores devem filtrar a retórica e os discursos políticos para compreender quais fatores estão influenciando o mercado de energia neste momento.

Também é preciso identificar os possíveis efeitos da situação no longo prazo sobre a oferta de petróleo e gás natural. Os leitores devem notar que a precisão de todas as informações abaixo aplica-se ao momento em que escrevo.

No entanto, os eventos no local e nos mercados continuam altamente voláteis, ou seja, as informações podem mudar rapidamente. Dessa forma, deve-se encará-las com a devida diligência. Apresentamos três questões-chaves que merecem a atenção dos investidores:

1. O gasoduto Nord Stream 2 não foi cancelado

Na terça-feira, a Alemanha anunciou que não pretende emitir um certificado de permissão para o gasoduto Nord Stream 2 – por enquanto. Quando essa notícia veio a lume, vários veículos de imprensa retrataram a ação como se fosse muito mais relevante para a oferta de energia do que realmente é. A CNN, por exemplo, publicou a manchete: “Alemanha interrompe Nord Stream 2 e Rússia responde com um grave alerta”. Da mesma forma, o New York Times escreveu: “Alemanha põe fim ao Nord Stream 2, gasoduto estratégico para a Rússia”.

Ambas as manchetes levaram os leitores a acreditar que a Alemanha realmente havia interrompido o fluxo de gás natural através da tubulação. Isso pode fazer os investidores acreditarem que uma crise energética no leste europeu é iminente. No entanto, o Nord Stream 2 ainda não entrou em operação.

O gasoduto foi fisicamente concluído e está pronto para transportar gás, mas não está em uso. A empresa dona da tubulação, a Gazprom (MCX:GAZP), da Rússia, ainda não cumpriu as normas anticoncorrenciais da UE. Tudo o que a Alemanha fez na terça-feira foi anunciar que adiaria a certificação final do gasoduto.

De qualquer forma, não se esperava que isso acontecesse até o fim do ano. Nenhuma entrega de gás foi afetada por esse movimento. Os investidores que avaliam os impactos de curto e longo prazo desse anúncio sobre o Nord Stream 2 devem ficar atentos a manchetes e notícias imprecisas sobre questões de energia.

É possível que a Gazprom, que fornece gás natural ao gasoduto Nord Stream original, decida cortar as exportações do produto para a Europa, a fim de pressionar a Alemanha e a UE a recuar e certificar o Nord Stream 2. No entanto, trata-se apenas de uma situação hipotética.

2. Retórica não é ação – fluxo de petróleo e gás da Rússia não parou

O presidente dos EUA, Joseph Biden, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, fizeram pronunciamentos veementes de unidade “em nossa oposição à agressão russa” e descreveram as ações como “primeira barragem” contundente. Biden também alertou os americanos que poderia haver “custos para nós também, aqui no país”.

Em seu discurso, Biden referia-se aos preços mais altos da gasolina. É verdade que o custo do combustível está subindo nos EUA, em parte devido aos preços mais altos do petróleo, gerados pela incerteza com a situação russo-ucraniana. No entanto, nenhuma das sanções anunciadas até agora exerceu qualquer impacto sobre o comércio petrolífero, a não ser entre especuladores mal informados.

De fato, de acordo com o portal TankerTrackers.com, 700.000 barris de petróleo russo foram despachados para os Estados Unidos na terça-feira. Os investidores devem se lembrar de que a retórica dos líderes mundiais de ambos os lados não necessariamente se traduz em ação em terra – ou no mar.

Quando o assunto é o gás natural, a retórica tampouco se coaduna com a realidade. Uma autoridade superior dos EUA, por exemplo, disse a repórteres que a interrupção temporária da Alemanha da certificação do Nord Stream 2 significava que o gasoduto “iria para a lata do lixo” e que “se trata de um momento decisivo para a independência energética mundial em relação à Rússia”.

Isso não é o que se vê na realidade. Exploramos acima a situação concreta do Nord Stream 2 e também há diversas outras tubulações que continuam enviando gás natural da Rússia para diversos locais da Europa e China.

3. Opep+ não deve mudar sua rota

O governo Biden já fez diversas tentativas de convencer a Arábia Saudita e a Opep a aumentar a produção de petróleo, mas os sauditas mantiveram-se firmes em seu compromisso de não elevar a produção mais do que permitia seu acordo atual com a Opep+.

De fato, membros árabes da aliança, que têm capacidade ociosa para elevar a oferta, demonstraram uma incomum unidade em sua oposição às invectivas americanas. Em uma conferência da indústria na Arábia Saudita, em 20 de fevereiro, os ministros do petróleo da Arábia Saudita, Emirados Árabes, Iraque e Kuwait expressaram sentimentos similares, comprometendo-se a respeitar suas cotas de produção designadas.

De fato, o ministro do petróleo dos Emirados, Suhail Mazrouei, afirmou que não acreditava que o mercado estivesse “exageradamente subabastecido” e que as tensões geopolíticas “fora do nosso controle” estavam atuando sobre os preços do produto.

Enquanto a Opep+ continua refutando os pedidos de Washington por mais produção, vale a pena lembrar que a Rússia é um membro ativo e poderoso da aliança. Os outros membros da Opep+ estão motivados a manter o pacto com a Rússia intacto.

Não sabemos se esse é o fator impulsor das atuais políticas dos produtores árabes, mas certamente tem sua parcela de participação. Os investidores, entretanto, devem ter em mente que a Opep+ ainda está se reunindo mensalmente e pode mudar sua política de produção se os membros tiverem uma causa suficiente. A próxima reunião da Opep+ acontecerá em 2 de março.

 

Helio Rosa, planaltinense, 50 anos, casado, pai de três filhos, graduado em ciências naturais e gestão pública. Jornalista e especialista em Administração Pública e Gerência de Cidades. Fez Agenda 21 e Coleta Seletiva. Foi Conselheiro do CONAM-DF e do CBH-Paranaiba. Está como Presidente do Conselho de Desenvolvimento Nacional - CDN. Ministra cursos de empreendedorismo, terceiro setor, trabalho remoto, economias circular, criativa e compartilhada.

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