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quarta-feira, maio 18, 2022
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Holomodor: a grande fome que devastou a Ucrânia na época da URSS

FONTE: MEGA CURIOSO

Há 90 anos, a Ucrânia enfrentava uma grande crise de fome durante o governo soviético de Joseph Stalin. Principalmente entre 1922 e 1923, diversas pessoas famintas vagavam pelos campos ucranianos em uma desesperada busca por alimento, o que resultou na morte de milhões de pessoas.

A situação era tão grave que médicos eram obrigados a carregar corpos dos hospitais sobrecarregados e atirá-los em enormes covas. Esse evento ficou conhecido como Holomodor e divide a opinião de historiadores até hoje, visto que muitos qualificam os acontecimentos daquela época como genocídio e traçam paralelos com o Holocausto — que matou milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial durante o regime nazista.

Entendendo o Holomodor

(Fonte: Wikimedia Commons)

O Holomodor, que também é chamado de Fome-Terror ou Grande Fome, foi a maior crise generalizada de fome desde que regime comunista soviético passou a ser liderado por Joseph Stalin em 1922. O nome vem da junção de duas palavras ucranianas: “holod”, que significa fome, e “mor”, que quer dizer praga ou morte.

Segundo historiadores, cerca de 3,3 milhões pessoas morreram nesse período. Outros estudos indicam que as mortes foram ainda maiores. De qualquer forma, o evento acabou se tornando um dos maiores traumas na história da Ucrânia e devastou por completo uma população de 44 milhões de habitantes.

Em algumas regiões, a taxa de mortalidade alcançou 30% e aldeias inteiras foram dizimadas. Embora os campos da Ucrânia fossem vistos como alguns dos solos mais férteis do mundo, tudo acabou sendo reduzido a um enorme deserto. Existem relatos que alguns habitantes tiveram que praticar canibalismo em uma tentativa desesperada de sobreviver.

Mortes em Holomodor

(Fonte: Wikimedia Commons)

Segundo estimativas, aproximadamente 13% da população ucraniana da época faleceu vítima de fome graças ao Holomodor. Porém, a grande discussão a respeito desse evento não é sobre o número de mortes, mas porque muitas pessoas acreditam que suas causas foram intencionais e decorrentes das ações soviéticas.

Nessa visão de pensamento, Stalin teria tentado substituir as pequenas fazendas da Ucrânia por coletivos estatais e punir os ucranianos de mentalidade independente, que ameaçavam o totalitarismo da URSS. Portanto, os rebeldes teriam sido submetidos à fome e forçados a entregar suas fazendas para a exploração coletiva, o que poderia ser categorizado como um genocídio.

Com as fazendas em suas mãos, a União Soviética poderia controlar o fornecimento de grãos para exportação e usar o dinheiro arrecadado nessas transições para financiar a transformação da URSS em uma potência industrial. Muitos protestos foram feitos na época para impedir esses atos, mas foram rapidamente reprimidos polícia secreta soviética (GPU) e o Exército Vermelho. Ao todo, milhares de agricultores foram presos, fuzilados ou enviados para campos de trabalho forçado.

Holocausto x Holomodor

(Fonte: Wikimedia Commons)

Afinal, o Holomodor pode ser considerado um genocídio tal qual o Holocausto? Em comum, ambos causaram a morte de milhões de pessoas. Porém, o Holocausto é categorizado legalmente pela Convenção sobre Genocídio da Organização das Nações Unidas (ONU) de tal maneira por possuir o que seria o “elemento mental” e o “elemento físico”.

O primeiro diz a respeito da intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Já o elemento físico inclui atos como:

  • Matar membros do grupo;
  • Impor medidas para impedir o nascimento de novos membros no grupo;
  • Forçar crianças a se transferir de grupo;
  • Infligir deliberadamente ao grupo condições de vida que provoquem sua destruição física total ou parcial;
  • Causar danos físicos e/ou mentais.

Em tese, o problema de categorizar o Holomodor como genocídio é a dificuldade de encontrar grupos definidos que tivessem sido atingidos pela tragédia por conta de orientação política ou origem de classe, enquanto outros argumentam que existem claras evidências da tentativa de destruição da nacionalidade ucraniana. Dessa forma, o tema ainda abre espaço para debates. NT

Rogério Cirino de Sá Ribeiro, goiano, 51 anos, casado, três filhos. Bacharel em Administração de Empresas pela UNIPLAC. Licenciado em História pela UPIS e MBA em Gestão de Projetos pela ESAD. Empresário do audiovisual desde 2012.

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