Profissionais defendem presença de dentistas em UTIs e hospitais do DF

Representantes dos odontólogos argumentam que a presença dos profissionais nas UTIs economiza custos hospitalares e reduz tempo de internação

Mario Espinheira – Agência CLDF

A presença dos dentistas nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e hospitais do Distrito Federal foi debatida em audiência pública da Câmara Legislativa nesta sexta-feira (10). A autora da iniciativa, deputada Júlia Lucy (União Brasil), defendeu investimento “urgente” da Secretaria de Saúde do DF em pessoal e equipamentos. “A não oferta de serviços odontológicos, ao lado da não oferta de serviço de pediatria, são os dois maiores problemas que nós constatamos sempre”, afirmou.

Para a distrital, o problema não é falta de recursos já que, segundo ela, a pasta conta com R$ 9 bilhões em caixa. “É muito urgente que a gente consiga mobilizar as autoridades para focar no investimento odontológico”, frisou.

Representando o presidente do Conselho Federal de Odontologia do DF, Juliano do Vale, o cirurgião-dentista Samir Najjar ressaltou a Lei 5744/2016, de Reginaldo Veras (PDT), que assegura presença de cirugião-dentista em UTIs da rede pública. “Acho que é o DF é o único estado que tem na rede pública e nos hospitais privados dentistas na UTI, mas poucos atendem na parte de internação”, ponderou.

Presidente do Conselho Regional de Odontologia do DF, o dentista Marco Antônio dos Santos defendeu maior participação política dos profissionais. Entre os desafios, ele frisou a necessidade de “conscientizar a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)” sobre a ampliação de cobertura de procedimentos odontológicos.

De acordo com ele, a presença dos dentistas nos ambulatórios “ajuda bastante na questão da prevenção de saúde bucal e problemas de infecções”. Júlia Lucy também defendeu a inclusão dos procedimentos odontológicos na lista da ANS: “se não estiver, os planos de saúde não vão cobrir estes custos”.

A gerente-geral de regulação assistencial de produtos da ANS, Ana Cristina Mota, explicou que o rol de procedimentos é atualizado constantemente a partir da demanda da sociedade e com a inclusão pelo SUS. Segundo ela, o plano odontológico é ambulatorial e o plano hospitalar prevê a cobertura do custo com a estrutura do hospital para tratamento odontológico. O paciente, neste caso, deve custear os honorários com o dentista e os materiais utilizados.

A gerente de Odontologia da Secretaria de Saúde, cirurgiã-dentista Alessandra Fernanda de Castro, reconheceu o déficit de dentistas na pasta, mas disse que há concurso em andamento com previsão de 50 nomeações.“Nós temos consciência das nossas limitações, temos brigado muito, revisto alguns conceitos e parametrizações que já não nos cabe mais, temos tentado de todas as formas possíveis ampliar a carga horária não só de cirurgião-dentista, mas de técnico em saúde bucal, e vamos continuar brigando por uma odontologia de excelência na Secretaria de Saúde do DF”, afirmou.

Segundo a mestre em terapia intensiva e professora da Uniceplac, cirurgiã-dentista Cláudia Baisaredo, a presença de odontólogos em UTIs economiza custos hospitalares e reduz tempo de internação. “O paciente que adquire uma pneumonia associada a ventilação por falta de assistência odontológica diária tem o tempo de internação aumentado em cerca de 12 dias, custo de R$ 30 mil a R$ 36 mil por paciente”, ressaltou.

Sobre o rol da ANS, Baisaredo destacou que é preciso ampliar os procedimentos cirúrgicos previstos: “Estamos falando de diagnóstico, de prevenção de pneumonia aspirativa, prevenção de pneumonia associada a ventilação mecânica, então vai muito além do que está no rol dos planos odontológicos”.

Ao defender a odontologia hospitalar, o cirurgião-dentista Júlio César destacou que 40% das endocardites (inflamação das estruturas internas do coração) tem como causas doenças da boca e, desse total, 20% vão a óbito. Ele parabenizou a deputada pela iniciativa da audiência: “Eu fico extremamente feliz porque nós estamos dando um pontapé muito importante nessa jogada, que é transformar a odontologia”.

Segundo a dentista e gerente das ações de planejamento familiar da Procuradoria Especial da Mulher da CLDF, Ana Cristina, 50% dos partos prematuros são provocados por doença periodontal. “Nós estamos trabalhando hoje com planejamento reprodutivo, mas o nosso foco é trabalhar odontologia junto a essas mulheres”, afirmou.

Ao final da audiência, Júlia Lucy se comprometeu a apresentar projeto de lei para ampliar a obrigação de dentistas também nos hospitais da rede privada.

Rogério Cirino de Sá Ribeiro, goiano, 51 anos, casado, três filhos. Bacharel em Administração de Empresas pela UNIPLAC. Licenciado em História pela UPIS e MBA em Gestão de Projetos pela ESAD. Empresário do audiovisual desde 2012.

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