Governo vê articulação do Congresso para enfraquecer Executivo e ameaça judicializar IOF; pauta popular será retomada como estratégia de pressão
A queda do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) abriu uma crise entre o Planalto e o Congresso. Para o PT, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuaram para sabotar o governo Lula e dificultar sua reeleição em 2026.
Segundo caciques petistas ouvidos pelo Metrópoles, o governo foi pego de surpresa e considera a manobra uma retaliação orquestrada. O estopim teria sido a tentativa do Congresso de pressionar o presidente a demitir o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por desavenças em torno de cargos em agências reguladoras.
A irritação no Planalto é evidente. Interlocutores de Lula afirmam que ele não vai recuar, nem aceitar novas invasões de competência. Para o governo, reajustar o IOF é prerrogativa do Executivo, e a derrubada por meio de Projeto de Decreto Legislativo (PDL) seria inconstitucional. O caminho apontado é a judicialização, mesmo com risco de estresse político.
A ordem agora é contra-atacar. O PT planeja resgatar medidas com apelo popular, como a taxação de super-ricos, regulamentação das apostas online e a responsabilização do Congresso pelo aumento na conta de luz. A estratégia será usada tanto no Congresso quanto nas redes sociais, com foco na narrativa de “ricos contra pobres”.
Nas palavras de um articulador petista: “Não se negocia em posição de desvantagem. A correlação de forças precisa ser reconstituída”. O embate está posto.
Do lado do Congresso, o ambiente também é de tensão. Parlamentares admitem que a relação com o governo está “arranhada em definitivo” e que o gesto de Motta foi precipitado. Para líderes ouvidos pelo Metrópoles, o envolvimento do STF pode agravar ainda mais a crise institucional.
O governo sabe que, sem reação firme, pode perder o controle sobre a agenda econômica e política. Mas também sabe que não pode bancar sozinho um conflito total. Em meio à pior relação com o Legislativo desde o início do mandato, Lula se vê diante de um impasse: ou impõe limites, ou cede poder.
A última vez que o Congresso derrubou um decreto presidencial de forma integral foi há quase 40 anos. A história está se repetindo — e ninguém parece disposto a ceder.





