Por Tiago Lucero
Sete meses de delírios diplomáticos depois, o governo norte-americano resolveu agir. E que fique bem claro: não é contra o Brasil — é contra Lula. Porque quando um presidente resolve afrontar diretamente os interesses estratégicos dos Estados Unidos da América, em pleno hemisfério ocidental, a resposta vem. E ela não vem com notas de repúdio. Ela vem com tarifas, com sanções, com isolamento político e, se for preciso, com muito mais.
Não adianta dourar a pílula nem brigar com a geopolítica. A doutrina Monroe nunca saiu de cena — América para os americanos sempre foi o norte das relações hemisféricas, e quando se fala “americanos”, entenda-se: Washington, não Havana. Muito menos Pequim ou Teerã.
Lula acreditou — e pior: agiu como se fosse verdade — que poderia puxar o Brasil para fora da esfera de influência americana e colocá-lo no colo do eixo russo-chinês. Isso não é um exagero. Isso é um fato. E foi feito de maneira explícita, afrontosa, quase provocativa.
Recebeu navios de guerra iranianos — navios de um regime que financia terrorismo internacional e é alvo de sanções globais. Se livrou de retaliações apenas porque o governo Biden ainda insistia em usar luvas de pelica. Mas Trump voltou. E com ele, a realpolitik sem vaselina.
A China já se espalha pelo território nacional como uma hera: entra em telecomunicações, em portos, em terras agrícolas, em infraestrutura estratégica. Não como parceira, mas como dona silenciosa de ativos cruciais para nossa soberania. Há até cartas de intenção em defesa e segurança. Isso não é “parceria emergente”, é colonialismo 5G com sotaque mandarim.
E no campo diplomático? Lula nunca escondeu sua afeição por ditaduras e ojeriza por aliados históricos. Condenou Israel, ignorou os ataques terroristas do Hamas, e praticamente cortou as relações com Tel Aviv — um aliado direto e incontornável de Washington.
Mais recentemente, na cereja do bolo da imprudência, o governo brasileiro teve a audácia de publicar um mapa oficial com territórios ucranianos ocupados pela Rússia como parte da Federação Russa. Isso não é um erro diplomático. É um tapa na cara do Ocidente. É se alinhar sem disfarce com a geopolítica de Putin, em plena guerra contra a OTAN.
E como se não bastasse, a última reunião dos BRICS, tão alardeada como o embrião de um novo mundo multipolar, foi um fiasco: esvaziada, irrelevante e refém da realidade. Porque sem força militar, sem coesão interna e sem liderança moral, não há bloco que enfrente o dólar, o Pentágono e Wall Street.
No meio de tudo isso, Lula ignorou o aviso de Trump no primeiro dia de seu mandato” “os EUA não precisam do Brasil, o Brasil precisa dos Estados Unidos”. Ignorar essa declaração deixou claro que Lula nunca entendeu o peso da hegemonia e sempre viveu de narrativas, não de fatos.
Pois bem: os fatos chegaram. Trump impôs tarifas de 50% ao aço e alumínio brasileiros. Um soco direto na veia econômica de exportação. E Lula agora diz que vai responder com “reciprocidade”. Vai nada. Não tem com quê. Não tem escala, não tem moeda, não tem mercado. Vai apenas fazer o povo brasileiro sangrar.
E talvez — talvez — esse seja o plano. Porque a narrativa da vitimização anti-imperialista rende manchete. Serve de biombo para esconder a inflação, o desemprego, a corrupção escancarada. E, claro, ajuda a transformar Bolsonaro num peão útil, um espantalho que os próprios americanos agora recolocam no tabuleiro como aviso: ou vocês voltam pro eixo, ou vamos botar outro no lugar.
Sim, é isso mesmo. O governo americano nunca vai permitir que o Brasil se torne satélite da China ou da Rússia. Nunca. Isso não é teoria da conspiração. É geoestratégia de manual. Somos fornecimento de alimentos, somos energia, somos posição geográfica chave. Não vamos sair do domínio norte-americano sem pagar o preço — e ele será altíssimo.
Lula acreditou que podia mudar a ordem mundial com discurso de sindicato e reuniões de terceiro mundo. Esqueceu que impérios não debatem, impérios agem.
Agora, não tem mais escapatória. Ou o Brasil se alinha ou vai ser esmagado — politicamente, economicamente e, se preciso for, militarmente.
O povo brasileiro vai sangrar. Mas não por culpa dos americanos. Vai sangrar porque confiou num projeto de poder delirante e suicida.
Não há terceira via geopolítica para o Brasil. Nunca houve. Ou se está com o Ocidente, ou se está contra ele. E quem fica contra, vira zona de guerra ou colônia sem bandeira.






