“Brics é uma fantasia sobre relevância”, diz Marcos Lisboa em crítica à política comercial brasileira

Fotio: divulgação PSD

Em entrevista à CNN Brasil economista aponta que bloqueio às importações sabota produtividade e desenvolvimento do país

Durante participação no programa WW Especial, o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, fez uma crítica contundente ao bloco Brics, chamando-o de “fantasia de relevância” e alertando para os riscos de o Brasil seguir apostando em alianças políticas inócuas, enquanto ignora os fundamentos do crescimento econômico sustentável.

“O Brics é uma fantasia de ter alguma relevância. A China é importante. A Índia é importante. O Brics não”, declarou o economista, em uma fala que rebate diretamente o entusiasmo do governo com o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Lisboa reforçou que o foco em agrupamentos simbólicos como o Brics desvia o debate das decisões concretas que impactam o desempenho da economia. Para ele, a limitação crônica às importações — adotada há décadas como estratégia de proteção da indústria — impede o acesso a novas tecnologias e sabota os ganhos de produtividade.

“Desenvolvimento de longo prazo é produtividade. E produtividade vem com tecnologia — que está nas máquinas, nos insumos. E onde estão essas máquinas? Fora do Brasil. É preciso importar”, afirmou.

O economista citou um estudo próprio que demonstrou como a abertura comercial no fim dos anos 1990 foi crucial para o salto produtivo da indústria nacional, especialmente pela entrada de equipamentos de ponta. Segundo ele, a reversão dessa abertura nas décadas seguintes comprometeu a capacidade de crescimento do país.

A crítica de Lisboa também se estendeu à reação brasileira diante do tarifaço imposto por Donald Trump. Para o economista, a medida dos EUA é equivocada, mas o Brasil não deve usá-la como pretexto para “dobrar a aposta” em uma agenda de isolamento comercial. “Esse disparate americano não pode justificar nossa insistência no erro. Há 40 anos crescemos menos que os demais emergentes — e até que países desenvolvidos — por más escolhas internas”, concluiu.

A fala de Marcos Lisboa reforça o coro de economistas que defendem uma reorientação pragmática da política comercial brasileira, com menos retórica ideológica e mais integração real com o mercado global

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