Conselho de Ética decide nesta terça sobre suspensão cautelar de André Janones

Bate-boca, agressões e pedido de suspensão: Janones na mira do Conselho de Ética da Câmara

Brasília amanheceu em clima tenso nesta terça-feira (15). O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados se reúne às 13h para analisar um pedido polêmico: a suspensão do mandato do deputado federal André Janones (Avante-MG) por seis meses. O relator do caso é Fausto Santos Jr. (União Brasil-AM), e a proposta partiu da Mesa Diretora da Casa, encabeçada por Hugo Motta (Republicanos-PB).

Mas o que está por trás desse novo capítulo conturbado no Congresso?

Tudo começou na última quarta-feira (9/7), durante um discurso inflamado do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Janones, que gravava um vídeo reagindo às falas de Nikolas, acabou cercado por parlamentares da oposição — e o plenário virou palco de empurra-empurra, ofensas e acusações graves.

Janones alega que foi agredido fisicamente por colegas como Sargento Gonçalves (PL-RN) e Giovani Cherini (PL-RS), levando socos, chutes e até importunação sexual. Ele registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia da Polícia Civil do DF, apontando que teve suas partes íntimas apalpadas e foi chamado de “vagabundo”, “bandido” e outras expressões ofensivas. O vídeo do momento circula nas redes e reforça a versão do deputado mineiro, que promete ir até o fim nas denúncias.

Do outro lado, a Mesa Diretora da Câmara também agiu rapidamente. Com base em um ofício do corregedor parlamentar Diego Coronel (PSD-BA), a cúpula acusou Janones de “provocar abertamente” os colegas e de ter ultrapassado os limites do decoro parlamentar com “manifestações ofensivas” a Nikolas. Para a Mesa, o parlamentar abusou da liberdade de expressão e manchou a imagem da Casa.

A votação desta terça pode seguir o exemplo do que ocorreu em maio com o deputado Gilvan da Federal (PL-ES), que foi afastado após episódio semelhante. Caso o pedido seja aprovado, Janones será suspenso imediatamente, e um processo mais amplo será aberto para avaliar possíveis sanções adicionais.

Enquanto isso, os bastidores fervem. O PL, partido de Nikolas e dos demais deputados citados na confusão, também protocolou uma representação contra Janones por quebra de decoro. A oposição quer virar o jogo e tentar deslegitimar as denúncias feitas pelo mineiro, sob alegações de “teatro político”.

O caso escancara o nível de tensão política no Congresso, especialmente às vésperas do recesso. A Câmara dos Deputados, que já convive com discussões acaloradas e agendas polarizadas, agora precisa decidir se episódios de violência e ataques cruzados se tornarão a nova norma — ou se haverá algum limite institucional diante do caos.

O Conselho de Ética tem hoje um papel crucial: não apenas julgar um parlamentar, mas mandar um recado sobre até onde vai a imunidade e onde começa a responsabilidade.

Acompanhe a sessão ao vivo pelos canais oficiais da Câmara e fique atento: o que está em jogo é mais do que o mandato de Janones — é a reputação de uma instituição que insiste em conviver com o limite entre a política e o espetáculo.

website average bounce rate

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui