Após críticas intensas, deputada distrital afirma que teve sua declaração “retirada de contexto”, mas postura é vista como tentativa de se eximir da responsabilidade
A deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania) voltou ao centro das atenções nesta semana após tentar atribuir à TV Globo a culpa pela repercussão negativa de sua própria fala sobre o chamado “teste do sofá”. Em nota, que o portal BSB EM DIA publicou, a parlamentar alegou que a emissora “retirou sua fala de contexto” e “recortou trechos da entrevista”, o que, segundo ela, teria provocado uma “interpretação distorcida” de suas palavras.
“Eu apenas reproduzi uma expressão de denúncia que chegou à Procuradoria da Mulher. Jamais quis ofender ou insinuar nada contra ninguém”, afirmou Belmonte. A deputada ainda reforçou que “a imprensa tem o dever de informar, mas também de não manipular o conteúdo”.
A justificativa, no entanto, não convenceu parte do público nem de seus colegas políticos. Críticos apontam que a parlamentar tenta transferir à mídia a responsabilidade por uma declaração que partiu inteiramente dela.
“A estratégia de culpar a imprensa é antiga, mas pouco eficaz quando há registro em vídeo e contexto completo disponível”, avaliou um analista político ouvido pela reportagem. “Nesse caso, a tentativa de vitimização parece ter agravado a repercussão negativa.”
A contradição também foi destacada nas redes sociais. Internautas lembraram que a mesma deputada, que agora acusa a Globo de distorcer suas palavras, foi uma das primeiras a condenar publicamente o deputado Daniel Donizet, antes mesmo do fim das investigações sobre o caso em que ele teria sido vítima de tentativa de extorsão.
“Coerência é fundamental na política. Não dá para exigir cuidado da imprensa quando se julga os outros pelas redes sociais”, escreveu uma usuária em tom crítico.
Enquanto a assessoria da deputada afirma desconhecer a nota à qual a reportagem original se refere e solicita o documento para se posicionar oficialmente, o episódio segue repercutindo no cenário político do Distrito Federal.
A crise, segundo analistas, expõe a fragilidade de discursos públicos em tempos de alta exposição midiática — e o quanto uma fala mal colocada pode se transformar em um problema de imagem difícil de contornar.






