Habitação no DF: o contraste das políticas desde Arruda para cá

Ao longo de quase duas décadas o DF deixou de ter qualquer política habitacional, viu a expansão da expeculação imobiliária, aumento galopante dos preços dos imóvies, expulsando as classes mais necessitadas de dentro do Distrito Federal

O acesso à moradia no Distrito Federal passou por mudanças significativas nas últimas décadas, tanto em termos de política pública habitacional quanto de preços do mercado imobiliário. A comparação entre períodos evidencia diferenças estruturais no papel do Estado e no impacto sobre a população de baixa renda.

Durante gestões anteriores, como a de José Roberto Arruda, houve a implementação de projetos habitacionais estruturados, com destaque para a criação do Setor Habitacional Jardins Mangueiral, viabilizado por meio de parceria público-privada e financiamento da Caixa Econômica Federal. O modelo combinava oferta de moradia planejada, diversidade de tipologias e integração com políticas federais de crédito habitacional, permitindo o acesso formal à casa própria por famílias de renda mais baixa.

No cenário atual, não há registro de novos projetos habitacionais de grande escala voltados à população de baixa renda. A política habitacional perdeu protagonismo, enquanto o mercado imobiliário passou a operar majoritariamente sob lógica privada, com forte valorização do metro quadrado.

Preço do metro quadrado no DF (2025–início de 2026)

Levantamentos de mercado indicam que o preço médio do metro quadrado residencial no Distrito Federal está atualmente entre R$ 9.300 e R$ 9.750, com projeções que apontam para uma média entre R$ 9.650 e R$ 10.200 ao longo de 2026, em razão da valorização contínua.

A variação por tipo de área é significativa:

  • Áreas de maior demanda e padrão (Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste): entre R$ 10.700 e R$ 12.600/m², podendo ultrapassar esse patamar.

  • Regiões centrais consolidadas (Águas Claras, Guará): entre R$ 8.000 e R$ 10.000/m².

  • Áreas periféricas ou menos valorizadas: entre R$ 4.000 e R$ 6.500/m².

Esse cenário torna o acesso à moradia praticamente inviável para famílias que vivem com um salário mínimo, especialmente dentro do território do DF. Mesmo nas regiões com menor valorização, o custo total de um imóvel permanece distante da capacidade de financiamento dessa faixa de renda.

Efeitos sociais e territoriais

A ausência de projetos habitacionais públicos, somada à elevação contínua dos preços, contribui para a exclusão habitacional e para o crescimento da população em áreas periféricas e no entorno do DF. Paralelamente, ações governamentais recentes têm se concentrado na liberação de áreas para o mercado imobiliário, movimento associado à expansão da especulação fundiária, sem contrapartidas estruturadas de habitação popular.

O contraste entre os períodos evidencia uma mudança de abordagem: de uma política ativa de produção habitacional para um modelo em que o mercado assume papel central, com impactos diretos sobre o acesso à moradia e a organização urbana do Distrito Federal.

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