PGR e STF fecham fileira: o Caso Master e a blindagem que fala por si

Toffoli internado com problemas no pulmão

Não é preciso ser conspiracionista para perceber quando instituições fecham questão. Basta observar o movimento coordenado. No Caso Master, STF e PGR decidiram não apenas manter Dias Toffoli no processo, mas blindá-lo publicamente, como quem levanta um escudo antes mesmo do golpe chegar. Quando o sistema reage em bloco, é porque o risco não é individual — é estrutural.

O arquivamento, pelo procurador-geral Paulo Gonet, do pedido de impedimento de Toffoli não foi um ato técnico isolado. Foi um sinal político. Um recado claro: daqui ninguém sai. O detalhe do jatinho, da relação com advogado ligado ao banco investigado, foi tratado como irrelevante por quem deveria, no mínimo, zelar pela aparência de imparcialidade. Não se trata de condenar, mas de afastar para preservar o processo. Isso, curiosamente, nem foi cogitado.

Na sequência, veio o coro. Gilmar Mendes elogia. Fachin endossa. O presidente do Supremo vai a público dizer que a atuação é “regular” e sugere uma “campanha contra a Corte”. O truque é antigo: quando a crítica é concreta, transforma-se em ataque institucional; quando o fato incomoda, vira perseguição. A toga se fecha e o debate morre sufocado.

O problema é que, nesse caso, não é só Toffoli que está em jogo. É o próprio desenho do poder. Blindar o ministro é blindar decisões pretéritas, relações cruzadas, despachos controversos, idas e vindas que já causaram desconforto até dentro da Polícia Federal. Blindar Toffoli é blindar o precedente de que o STF decide, investiga, guarda provas e julga — tudo ao mesmo tempo.

Enquanto isso, o Caso Master segue expondo fissuras. Investigadores falam em risco de destruição de provas. A PF reclama de interferências. O vaivém de decisões gera insegurança jurídica. E, no centro disso tudo, permanece o relator que jamais deveria ser o ponto de menor questionamento. Mas virou.

O discurso da “regularidade” não convence fora do círculo fechado de Brasília. Regular não é apenas estar dentro da lei formal; é também respeitar o princípio básico da confiança pública. Quando um ministro que frequenta ambientes, pessoas e estruturas ligadas ao caso permanece no comando, o recado é simples: a forma importa menos que a conveniência.

A PGR, que deveria funcionar como contrapeso, optou pelo silêncio ativo: arquiva, encerra, esvazia. Não investiga o desconforto; elimina o problema administrativo. É a velha lógica do tapete institucional — não para esconder a sujeira, mas para garantir que ninguém aponte onde ela está.

No fim, o que se vê é um Supremo falando para dentro, não para o país. Defendendo a si mesmo em nome da estabilidade, como se estabilidade fosse sinônimo de imobilidade. Como se questionar um ministro fosse, automaticamente, atacar a democracia.

Mas democracias não morrem só com tanques. Morrem também quando instituições perdem a capacidade de se autocontestar. Quando o poder passa a se proteger mais do que a esclarecer. Quando blindar um vira sinônimo de blindar todos.

E é isso que o Caso Master revela, com uma clareza desconfortável: para STF e PGR, neste momento, blindar Toffoli é blindar o sistema. O problema é que sistemas blindados demais deixam de ser republicanos — e passam a ser apenas fechados.

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