No último podcast que participou, questionada sobre a corrida de 2026, a governadora Celina Leão soltou a pérola: “vamos ganhar antes da campanha”.
Frase curta. Significado pesado.
Primeira leitura: ela está contando com o “W.O.” de José Roberto Arruda. Acha que o STF vai “anular” a lei vigente (sim, pela lei Arruda está elegível) e o TSE vai declarar o ex-governador inelegível, tirar ele da urna e abrir caminho limpo para ela. Desdenha de todos os outros pré-candidatos como se não existissem. Na cabeça dela, só Arruda poderia incomodar — e se ele cair, o resto é paisagem. Ato falho clássico: empodera o adversário principal e humilha o eleitor, como se o DF fosse dela por direito divino.
Segunda leitura — e mais perigosa: ela está admitindo, sem querer, que a campanha já começou. “Ganhar antes” significaria usar o cargo, a caneta, o dinheiro público e a estrutura do GDF para construir imagem desde já. E olha o que temos visto nesses primeiros dias:
- “Jeitinho” no SUS: para, anota telefone de uma senhora e promete furar fila de cirurgia.
- Factoides diários: anúncio de secretaria nova, “choque de gestão”, carretas de ressonância, parque de mentirinha.
- “GDF nas cidades”: governo rodando pra “levar o serviço ao povo”, mas na prática é palanque disfarçado.
- Mídia amiga: portais e telejornais lotados de “Celina fez isso, Celina resolveu aquilo”, sem uma linha crítica, mas com o banner do governo do lado (que custa milhões).
Isso não é gestão. É pré-campanha paga com dinheiro do contribuinte. Propaganda eleitoral antecipada pura, com cara de “prestação de contas”.
E o pior: ela fala isso como se não tivesse passado sete anos e quatro meses colada em Ibaneis Rocha. Vice-operadora, vice-decisora, vice que substituía o governador por longos períodos, sempre posando com “nosso governo”. Agora quer posar de salvadora da pátria que vai consertar o que ela mesma ajudou a destruir: rombo orçamentário, BRB lambança, saúde em caos, escândalos que não param.
Celina, o telhado da sua casa não é de vidro. É de bolha de sabão. A Operação Dracon, que te acusa de participação em desvios na saúde, está muito mais perto de ser julgada do que a ADI contra Arruda. Enquanto você torce pelo W.O. do adversário, é você quem corre mais risco de não chegar na urna.
“Vamos ganhar antes da campanha”?
Ou você está confessando que já está usando a máquina pública para fazer campanha, ou está vivendo num mundo paralelo onde o eleitor esquece tudo o que você fez ao lado de Ibaneis.
Não vai colar, dona Celina.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quem diz que vai “ganhar antes da campanha” ou é arrogante demais ou está admitindo que já começou a abusar do cargo. Em Brasília, as duas coisas costumam terminar mal. E o eleitor, mais cedo ou mais tarde, percebe.







