Após o Metrópoles mostrar que o suposto comprador da Naskar Gestão de Ativos morava em uma kitnet na Asa Norte (DF) até cinco anos atrás, a reportagem ouviu pessoas que conviviam com Douglas Silva de Oliveira (foto em destaque), 25 anos, na época em que ele levava vida de universitário, ainda longe do repentino alto padrão hoje ostentado.
A reportagem conversou, nessa quinta-feira (21/5), com estudantes que dividiam sala de aula com Douglas no curso de medicina na Universidade de Brasília (UnB). A sensação do grupo é que o rapaz ficou rico de repente.
Douglas ingressou na UnB no início de 2018. “Ele sempre falou que era uma pessoa de baixa renda e que alguns familiares o ajudavam”, relata um colega de turma. “Ele não tinha carro, nada. Vivia uma vida normal, como qualquer estudante”.
Até que, entre o fim de 2019 e o início de 2020, as aparências sobre Douglas começaram a mudar. “Um pouco antes da pandemia de Covid-19, ele passou a andar de carrão. Apareceu com uma GM S10, depois uma Toyota Hilux… além disso, começou a viajar para lugares caros para caramba“, conta o colega, que terá a identidade preservada.
Naturalmente curiosos com a brusca mudança de vida de Douglas, os colegas perguntavam ao estudante sobre os carros e as viagens. “Ele contou diversas histórias diferentes sobre o dinheiro dele. Primeiro, falou que era uma herança da avó. Depois, disse que os pais eram investidores e que a mãe tinha empresas nos Estados Unidos e no Catar. Foi dando várias versões diferentes”, relembra um aluno.
“Ele falava que tinha contatos com políticos de MG, daqui do DF, mas não mencionava nomes”, completa o rapaz.
Outra estudante se recorda que Douglas chegou a exibir frente a turma um relógio de luxo. “Lembro de ele esbanjar um relógio bem caro e até falar o preço que tinha custado”, comenta.
Sem explicar como havia enriquecido, Douglas continuava a ostentar frente aos amigos de faculdade. “Na época das aulas remotas, ele mandava propostas no grupo da turma oferecendo R$ 800, R$ 1.000 para quem quisesse fazer as provas dele”, conta um aluno. “Ele demonstrava que tinha muito dinheiro, mostrava extratos de contas bancárias dele com muita grana, mesmo”.
“Todo mundo falava: ‘Que estranho o Douglas, do nada, ficar tão rico assim’. As informações não batem. A gente nunca entendeu como a avó dele havia deixado herança e ele tinha estudado em escola pública a vida toda. Até que, vendo as reportagens recentes, associamos os pontos”, disse.
Com a nova rotina, Douglas deixou de ir às aulas. O empresário chegou a pedir dinheiro emprestado para os ex-colegas de turma, há pouco mais de um ano. “Ele mandou mensagens para alguns, pedindo dinheiro emprestado e prometendo pagar com juros”, revela um estudante.
Em contato com o Metrópoles, a assessoria de Douglas de Oliveira reforça que “de fato, ninguém enriquece do nada” e justifica a ascensão financeira do jovem de 25 anos a heranças, seguro de vida e investimentos (leia mais no fim da matéria).
Após constatar que a Azara Instituição de Pagamento Ltda. nunca esteve no endereço indicado pela empresa como sede, o Metrópoles foi a três endereços no Distrito Federal ligados a Douglas Silva de Oliveira, dono da instituição. Os locais destoam do patrimônio de R$ 2,4 bilhões indicados pelas empresas das quais Douglas aparece como administrador.
Na QI 31 do Guará II, colaboradores do prédio confirmaram que Douglas já havia morado lá como inquilino (pagando aluguel) há cerca de dois anos. Já na 410 Norte, Douglas já morou em um prédio de kitnets de preço relativamente acessível em comparação a outras quadras da região. A maioria dos moradores são estudantes da UnB.
12 empresas e R$ 2,4 bilhões: quem é Douglas?
Douglas Silva de Oliveira, de codinome Douglas Azara, tem 25 anos e possui endereços residenciais no Distrito Federal e em Uberlândia (MG). Apesar da pouca idade, aparece como suposto administrador, sócio-administrador e/ou representante legal de, pelo menos, 12 empresas brasileiras, entre fintechs, fazendas, postos de combustíveis e transportadoras. Somados, os capitais das 12 empresas chegam a R$ 2,4 bilhões.
A grande maioria das empresas tem capital social milionário, com uma delas chegando à casa do bilhão. Douglas é representante legal e sócio-administrador do Banco Phoenix, por exemplo, que tem R$ 1 bilhão de investimento. A instituição, de razão social Jabuti Capital Venture Group Ltda., nasceu em 9 de janeiro de 2024 e tem sede em Uberlândia (MG).
A maioria das empresas foi criada entre janeiro e setembro de 2024. Algumas delas foram instituídas no mesmo dia, como a Fazenda Jabuti e a Fazenda Tel-Aviv, em 9 de janeiro; e a Sommerlath Armazéns Gerais e a Fazenda Jerusalém, em 19 de fevereiro.
Apesar de gerir empresas de aporte bilionário, Douglas Silva de Oliveira tem renda mensal declarada de R$ 1,8 mil.
Há poucas informações de fácil acesso sobre Douglas. Os perfis dele nas redes sociais são trancados, e no LinkedIn possui apenas sete conexões e nove seguidores.
Outro lado
A assessoria de Douglas comentou sobre a sensação dos colegas de classe do empresário na época de UnB. Leia na íntegra:
“De fato, ninguém enriquece do nada. Com o falecimento do avô, em abril de 2019, Douglas recebeu uma herança e seguro de vida, investimentos e afins. Essa parte, de fato, pouca gente expõe, porque não faz sentido para terceiros. Quanto a valores, por questões de segurança, não vamos comentar”.










