Carol Fleury sobre aumento das passagens no Entorno: 1/3 do trabalho vira passagem de ônibus

Carol Fleury - reprodução

Ex-secretária do Entorno afirma que aumento penaliza trabalhador e representa quase um terço do salário mínimo, forçando famílias a escolherem entre transporte e alimentação

Os moradores do Entorno do Distrito Federal acordaram neste domingo (28) com mais um golpe no bolso. Seis das oito linhas intermunicipais que ligam as cidades goianas a Brasília tiveram aumento nas passagens autorizado pela ANTT. Quem já enfrenta ônibus lotados, trânsito pesado e veículos precários agora vai pagar ainda mais caro para ir trabalhar. O reajuste atinge diretamente milhares de famílias que dependem do transporte coletivo para sustentar suas casas.

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Carol Fleury, pré-candidata a deputada federal pelo Avante e ex-secretária do Entorno, foi uma das vozes que mais atuou contra reajustes durante sua gestão. Na época, ela conseguiu segurar o aumento e ampliou o diálogo entre os governos e as empresas concessionárias. Agora, diante da nova alta, ela volta a cobrar responsabilidade do poder público com quem mais depende do transporte intermunicipal.

Para Carol Fleury, o transporte público não é apenas uma questão de mobilidade. É uma questão de dignidade e de direito social. Segundo ela, o trabalhador do Entorno já enfrenta uma rotina extremamente desgastante, com horas dentro de ônibus em más condições e enfrentando congestionamentos diários. Com o reajuste, esse sofrimento ganha um peso ainda maior no orçamento familiar. A pré-candidata destacou que, em muitos casos, o gasto mensal com transporte chega a aproximadamente R$ 470, o que representa quase um terço do salário mínimo. Isso significa que o trabalhador precisa usar cerca de 10 dias do mês só para pagar a passagem.

Carol Fleury alerta para impacto no orçamento familiar e cobra que transporte seja tratado como política social

A ex-secretária do Entorno fez um cálculo direto sobre o que esse valor representa na vida real das famílias. Segundo Carol, R$ 470 mensais equivalem a 15 quilos de carne bovina, 70 quilos de frango ou 91 dúzias de ovos. Quando se coloca no papel a realidade de um casal com filho, o impacto se torna ainda mais grave, comprometendo a prestação da casa, a alimentação e outros gastos essenciais. Para ela, é inadmissível que o trabalhador precise abrir mão de parte significativa da renda apenas para conseguir chegar ao emprego.

Carol Fleury também chamou atenção para outro lado do problema. O aumento das passagens não pesa apenas no bolso do trabalhador. Ele também encarece os custos para os empregadores, que muitas vezes acabam optando por contratar pessoas que moram em Brasília ou que informam endereço falso na capital para reduzir despesas com transporte. Isso, segundo ela, prejudica tanto o trabalhador do Entorno quanto a economia local, já que quem gasta menos com passagem tem mais condições de consumir no comércio da própria cidade.

A pré-candidata afirmou que não aceita ver a população do Entorno sendo penalizada de forma recorrente. Para Carol Fleury, o transporte público precisa ser tratado como uma política social e de desenvolvimento, e não apenas como uma conta que é repassada integralmente ao usuário. Ela reforçou que vai continuar cobrando do poder público soluções estruturantes para a mobilidade da Ride-DF, com foco em um sistema mais justo, acessível e que respeite o tempo e o bolso de quem trabalha todos os dias.

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