A morte da política

O julgamento de Bolsonaro e a consagração da morte da política

Por Tiago Lucero

As ideias aqui reproduzidas não representam necessariamente o posicionamento do BSB Times, sendo de responsabilidade exclusiva do autor.

O processo contra Jair Bolsonaro por uma suposta tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2022 é, antes de tudo, um espetáculo farsesco. Não houve levante de armas, não houve comando, não houve quartelada. O que houve foi descontrole: uma massa indignada, raivosa, mal representada e iludida, que explodiu em baderna na Praça dos Três Poderes — o palco secular da política brasileira.

Esperava-se um cavaleiro branco, talvez os militares, talvez qualquer força externa que virasse o jogo. Nada veio. Nem Bolsonaro, nem seus fiéis tinham condições mínimas de sustentar um golpe. Juridicamente, o episódio não passa de um “crime impossível”: não se derruba um governo à base de selfies e depredação de vidraças.

O julgamento, no entanto, segue. E segue não porque haja provas sólidas, mas porque a lógica não importa. Inquéritos ilegais, procedimentos frágeis e ausência de nexo causal são ignorados sem pudor. Qualquer estudante de Direito reconheceria as falhas gritantes. Mas, nesse caso, a lei virou mera coadjuvante de um enredo político.

O que está em jogo não é justiça — é a legitimação de um poder que não encontrou base sólida nas urnas. O STF encarna o ativismo judicial em sua forma mais corrosiva: ministros que se arrogam o direito de legislar, julgar e governar ao mesmo tempo. A política foi terceirizada às togas, e o Congresso virou figurante.

O julgamento de Bolsonaro não é sobre golpe. É sobre o fim da política como espaço de decisão legítima. É a confirmação de que, no Brasil, não se governa mais pelo voto, mas pelo despacho. A democracia representativa cedeu lugar ao simulacro judicial. O 8 de janeiro não foi a tentativa de um golpe de Estado; foi apenas o pretexto para oficializar o Estado sem política.

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