A pulga atrás da orelha do Buriti: quem Vorcaro pode delatar?

Polícia Federal pode indiciar Vorcaro como chefe de organização criminosa, e parece que ele ja pode estar negociando uma delação, e muitas pulgas devem estar subindo atrás de orelhas no Buriti com isso.

A Polícia Federal não costuma escolher palavras à toa. Quando investigadores falam em “indícios veementes” de que Daniel Vorcaro pode ser o líder — ou ao menos um dos chefes — de uma organização criminosa, não estão lançando retórica ao vento. Estão sinalizando que o jogo ficou grande, caro e perigoso para muita gente além do próprio banqueiro.

A saída de um advogado de peso da defesa, em meio a divergências internas sobre delação premiada, só aumenta o ruído. É sempre assim: quando a coisa aperta de verdade, a palavra “colaboração” começa a circular nos bastidores, mesmo que seja oficialmente negada em nota bem redigida. Nota, aliás, é o último refúgio quando o processo começa a ganhar vida própria.

E aqui entra a pergunta que incomoda — aquela que coça atrás da orelha de quem ocupa gabinetes refrigerados no Buriti: se Vorcaro for formalmente apontado como chefe de uma organização criminosa, quem mais aparece no retrato? Porque, convenhamos, fraudes bilionárias não se fazem no monólogo. Não existe “organização criminosa solo”.

É difícil — para não dizer intelectualmente desonesto — sustentar que um esquema dessa magnitude funcione apenas do lado do vendedor. Para alguém vender ativos podres como se fossem ouro, alguém do outro lado precisa comprar. E comprar com entusiasmo, com pressa, com defesa política e com força institucional.

Do outro lado estava quem? O BRB, banco público, comandado por indicações políticas, operando sob a bênção direta do governador do Distrito Federal, que fez questão de defender a operação quando alertas já pipocavam de todos os lados. Auditorias, especialistas, técnicos: todo mundo avisou que ia dar problema. Deu. E deu grande.

A pergunta que não quer calar é simples e devastadora: quem bancou politicamente essa operação? Quem abriu caminho? Quem pressionou? Quem garantiu que a compra avançasse apesar dos sinais vermelhos piscando como árvore de Natal em liquidação?

Se Vorcaro resolver falar — e essa é sempre uma variável real quando a PF fecha o cerco — ele não vai inventar nomes. Vai apontar conexões. Vai descrever reuniões. Vai relatar pressões, garantias, expectativas. Organização criminosa, por definição, é estrutura. E estrutura tem hierarquia, cumplicidade e divisão de tarefas.

É aí que o clima muda. Porque delação não serve apenas para reduzir pena; serve para redistribuir responsabilidades. E, historicamente, quando um elo central cai, a narrativa do “erro de gestão” vira pó. Aparece o que realmente houve: decisões políticas travestidas de técnica, apostas temerárias cobertas por silêncio institucional.

No Buriti, o silêncio já é ensurdecedor. Discursos genéricos sobre “crise”, “gestão” e “ajustes” tentam empurrar o assunto para debaixo do tapete. Mas tapete não cobre investigação federal. Muito menos quando o STF está no radar e a Polícia Federal começa a usar palavras como “organização criminosa”.

A pulga está lá. Coçando. E não é paranoia. É cálculo político. Porque, se Daniel Vorcaro cair falando, a pergunta não será se houve cúmplices — mas quem, onde e até que ponto. E essa resposta pode custar muito mais do que dinheiro. Pode custar poder.

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