Celina Leão saiu posando de grande defensora do meio ambiente. Anunciou com estardalhaço a criação do “Parque da Serrinha” como se tivesse salvado a área da especulação imobiliária e do uso como garantia no escândalo do BRB.
Notícia boa? Só no título. Na prática, é mais uma manipulação midiática bem montada.
O tal “Parque da Serrinha” (que nem se chamava assim, no projeto éra Parque da Pedra dos Amigos – nome histórico) corresponde a apenas 10% da Gleba A — exatamente a área que o GDF queria usar para cobrir o rombo bilionário do BRB e viabilizar a especulação no Taquari 2. Os outros 90% continuam expostos, vulneráveis e com a mesma ameaça de loteamento sobre uma das regiões mais sensíveis do DF.
É a clássica meia-verdade vendida como grande vitória. Criaram um pedacinho de parque, mudaram o nome bonitinho e saíram batendo no peito como se tivessem resolvido o problema. Enquanto isso, a área principal — de extrema importância para a recarga hídrica do Lago Paranoá, responsável por tirar Brasília do racionamento em 2017 — segue ameaçada.
Ambientalistas, a Associação Preserva Serrinha, o Conselho de Recursos Hídricos e até a UnB alertam: essa região é uma esponja natural que alimenta as nascentes do lago. Mexer nela significa menos água potável na torneira da população. Mas isso não aparece nas manchetes festivas.
Pior: em 2020 a mesma área foi avaliada em cerca de R$ 4 bilhões. Agora, para “salvar” o BRB, foi colocada na mesa por R$ 2,2 bilhões. Cadê os R$ 1,8 bilhão que evaporaram? Com a valorização imobiliária dos últimos anos, a subavaliação fica ainda mais suspeita.
Celina Leão não protegeu nada. Fez teatro. Usou um pedaço pequeno da área para criar narrativa de “governadora ambientalista” e tentar limpar a imagem no meio do escândalo do Master/BRB. É a mesma velha técnica: omissão + meia verdade + manchete bem posicionada = fake news disfarçada de jornalismo.
A população não é boba. A Serrinha não está salva. O risco hídrico continua. E a tentativa de usar a natureza como moeda de troca para tapar rombo de banco continua no ar.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando uma governadora anuncia um “parque” que protege só 10% da área em risco e a mídia trata como grande feito, não é proteção ambiental. É proteção de narrativa.







