Vladyslav Heraskevych, do skeleton, desafia entidade e promete competir com equipamento que homenageia atletas mortos na guerra.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) apelou nesta quarta-feira (11/02/2026) para que o ucraniano Vladyslav Heraskevych dispute a prova de skeleton nos Jogos Olímpicos de Inverno sem o capacete proibido que exibe imagens de 24 atletas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia. A entidade pediu que o atleta evite desclassificação e reiterou que deseja vê-lo competir.
Na terça-feira, o COI vetou o uso do capacete em qualquer competição oficial, alegando violação das regras que proíbem manifestações políticas durante as provas. A decisão gerou críticas de políticos ucranianos. Heraskevych, de 27 anos, vem treinando na Itália — inclusive nesta quarta-feira — com o capacete e afirmou que pretende usá-lo na prova marcada para quinta-feira (12/02).
O equipamento é permitido apenas nos treinos no centro de deslizamento de Cortina, mas não nas competições oficiais. Questionado pela Reuters se a escolha era usar o capacete ou não competir, Heraskevych respondeu: “Sim”.
O porta-voz do COI, Mark Adams, declarou em coletiva: “Nós imploraríamos para ele: ‘Queremos que ele compita’”. Adams afirmou que o COI entrará em contato com o atleta nesta quarta-feira para reiterar oportunidades de expressar luto. “Queremos que ele expresse seu luto”, disse.
Durante os Jogos, atletas podem se manifestar livremente em entrevistas, coletivas e redes sociais, mas não podem fazer declarações políticas no campo de competição ou pódios. O COI informou que Heraskevych poderia usar braçadeira preta como alternativa.
Adams explicou que, diante de dezenas de conflitos armados no mundo, seria impossível permitir manifestações políticas nos locais de competição. A Regra 50.2 da Carta Olímpica determina que nenhuma forma de demonstração política, religiosa ou racial pode ocorrer nos campos de jogo ou pódios, embora os atletas possam se expressar livremente em outros espaços.
“É isso que os atletas querem. Aquele momento específico no campo de competição deve estar livre de qualquer distração. Não é a mensagem, é o local que importa”, afirmou Adams. “Para nós e para os atletas, o campo de competição é sagrado. Essas pessoas dedicaram a vida inteira a esse momento”, acrescentou.
O porta-voz disse que o COI buscará, até quinta-feira, maneiras de convencer o atleta, inclusive com participação de outros competidores em conversas. “É do interesse de todos que ele compita. Não digo que temos uma solução pronta para isso, mas é melhor conversar com as pessoas para tentar chegar a um entendimento”, declarou.
Na quinta-feira (12/02), todos os atletas, incluindo Heraskevych, passarão por inspeção de material antes de entrar no canal de gelo. Caso insista em usar o capacete, o COI terá de retirá-lo da prova. “Existem regras e regulamentos, e eles serão aplicados em última instância. No fim, será uma decisão do COI”, concluiu Adams.
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