Distritais repercutem troca de secretários na Saúde do DF

O general do Exército Manoel Luiz Narvaz Pafiadache aceitou, na sexta-feira (27), o convite do governador Ibaneis Rocha para chefiar a Secretaria de Saúde do Distrito Federal

A exoneração do ex-secretário de Saúde, Osnei Okumoto, e a nomeação do general do Exército Manoel Pafiadache para a gestão da pasta geraram debate entre os distritais na sessão ordinária remota da Câmara Legislativa (CLDF) desta terça-feira (31). Para Fábio Félix, o processo de troca foi “um show lamentável de horrores”, frisando que houve divulgação de “nome que declinou em seguida”, depois anúncio de que o governador, Ibaneis Rocha, assumiria interinamente a secretaria e, por fim, a confirmação de Pafiadache. “Há uma militarização da política e nós desconhecemos o general que vai assumir a secretaria, suas qualidades, sua competência. Vamos ver o que vai acontecer daqui para frente”, afirmou o distrital.

Fábio Félix também criticou a troca no Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que chega ao quinto presidente: “Estamos atentos na oposição dura a esse governo, para criticar essas mudanças irresponsáveis na saúde”. A deputada Arlete Sampaio (PT) reprovou a escolha do novo secretário, frisando que o governador “teima em colocar pessoas absolutamente estranhas ao SUS” na gestão da Saúde. Ela ressaltou que continuará cobrando a abertura da “CPI do Iges”, órgão que, segundo a distrital, deveria ser extinto. “Eu pensei que o governador fosse tomar juízo e propor a extinção do Iges e reintegração das unidades à Secretaria de Saúde, mas não. Pelo visto, ele pretende manter essa sangria”, afirmou.

O vice-presidente da CLDF, Rodrigo Delmasso (Republicanos), disse que o novo secretário “tem larga experiência na gestão do SUS” e parabenizou o governador pela escolha. O distrital destacou a atuação de Pafiadache como diretor-executivo do Instituto Cardiológico do DF: “Ele pegou o Instituto com uma dívida enorme e conseguiu sanear, implantando uma política de governança que desse transparência às ações”. Leandro Grass (Rede), no entanto, considerou o mês de agosto como “um dos mais terríveis na história da gestão da saúde pública no DF”. De acordo com ele, há 40 mil pacientes no DF esperando por cirurgia.

Sobre o novo secretário, Leandro Grass desejou “boa sorte”, mas lembrou que o gestor “foi diretor administrativo do Iges na gestão Francisco Araújo, que está sendo investigada por desviar dinheiro público”. Para o distrital, a saúde está “colapsada” e não há “nenhum tipo de encaminhamento técnico, apenas troca de nomes”. Ele mostrou fotos do Hospital do Paranoá, em cuja enfermaria, segundo ele, não havia luvas e antibióticos, com “pessoas amontoadas” tomando “soro de improviso”. O parlamentar também defendeu a instalação de CPI para investigar o Iges-DF, a fim de “abrir a ‘caixa-preta’ e mostrar a população o que foi feito com o seu dinheiro”.

Chico Vigilante (PT) voltou a defender a extinção do Iges-DF, órgão que, para ele, “não há solução”. Ele afirmou que a dívida do Instituto ultrapassa R$ 400 milhões e que nem o Governo sabe o real tamanho, pois “a cada dia aparece uma conta nova”. O distrital sugeriu iniciar o processo de extinção do Instituto pela reintegração do Hospital de Santa Maria, depois das UPAs e, por fim, do Hospital de Base.

Júlia Lucy (Novo) também criticou a mudança de secretários: “Eu lamento que mais uma vez a gente esteja vivendo uma troca de gestão no momento em que a gente tinha traçado dois projetos, o Outubro Rosa e o Novembro Azul, em parceria com a Secretaria de Saúde”. Ela ainda afirmou que não há programa na “pauta da saúde reprodutiva”, que a atenção primária está “completamente desmantelada” e que há uma “visão completamente deturpada do que é saúde pública” por parte do governo. “Acho que nunca ninguém no DF pensou que pudéssemos chegar no nível de lástima que estamos vivendo”, reforçou.

Para o líder do Governo na CLDF, João Hermeto (MDB), os problemas na Saúde no DF são históricos, agravados pela pandemia, e, portanto, não se pode culpar a atual gestão. “O que o governador tem feito é buscar uma alternativa para resolver o problema”, frisou.

Mario Espinheira – Agência CLDF

website average bounce rate

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui