Não foi mero revés econômico, nem “efeitos climáticos” ou qualquer outra desculpa esfarrapada que o governo do DF tenta vender: a queda da nota Capag de B para C, confirmada pelo Tesouro Nacional na avaliação de 2025 e divulgada neste mês, enterra de vez a ilusão de que Ibaneis Rocha gerencia bem as finanças públicas. Principal vítima? O BRB, abalado pelo rombo bilionário da compra fraudulenta do Banco Master – operação insólita que o governador avalizou, ignorou alertas e agora tenta tapar com soluções improvisadas.
O Capag, que mede endividamento, poupança corrente e liquidez, despencou principalmente por causa da poupança corrente: 95,27% da arrecadação vira despesa corrente, sobrando migalhas para investimentos ou emergências. Resultado prático? O DF perde a garantia da União para novos empréstimos – o avalista mais sólido do país, que em 2025 pagou R$ 11,1 bilhões em dívidas atrasadas de entes federativos. Sem isso, qualquer financiamento sai mais caro, com juros altos e condições piores. Ibaneis, que herdou (e manteve por um tempo) nota B, viu a saúde fiscal ruir em plena crise do BRB.
E por quê? Porque a ânsia eleitoreira falou mais alto: governo de “obras” a jato, calcadas em empréstimos acelerados, gastos correntes explodindo e poupança evaporando. O endividamento ainda é baixo (nota A nesse pilar), mas o fluxo de caixa secou – sinal clássico de gestão irresponsável. Agora, para recapitalizar o BRB (que tem até 31 de março para mostrar soluções concretas ao mercado), o governador corre atrás de alternativas desesperadas: venda de bens públicos, abertura de capital maior no banco, estruturas financeiras baseadas em ativos do GDF. Tudo isso enquanto paira o fantasma da federalização – um banco de fomento histórico, com décadas de saúde financeira, indo água abaixo por decisões políticas.
Ibaneis posava de gestor eficiente, de “direita pragmática”. Mas na hora H, o pragmatismo vira oportunismo: ignora alertas do MP, politiza o banco público e agora mendiga soluções que o contribuinte brasiliense vai pagar caro – com juros mais altos, menos investimentos e risco de calote maior. A nota C não é castigo do Tesouro: é o retrato fiel de um governo que priorizou imagem e eleições em vez de equilíbrio fiscal.
Enquanto o BRB sangra e o DF perde credibilidade, o povo percebe: discursos de ordem evaporam quando a conta chega. Motivos Ibaneis deu de sobra. A direita de verdade não engole essa gestão de fachada – e julga nas urnas. Chega de rombo disfarçado de “desenvolvimento”. O buraco é no bolso do contribuinte.






