A eleição interna do Partido dos Trabalhadores (PT), marcada para definir seus novos dirigentes, enfrenta um impasse que compromete o andamento do processo em nível nacional. O diretório estadual de Minas Gerais teve sua votação suspensa após decisão judicial que determinou a inclusão da deputada federal Dandara Tonantzin na disputa pelo comando estadual da sigla.
A Justiça atendeu a um pedido da parlamentar, cuja candidatura havia sido rejeitada pela cúpula do partido sob o argumento de inadimplência nas contribuições partidárias. Com a decisão, a direção nacional alegou “impossibilidade logística” de reimprimir e redistribuir as cédulas já enviadas aos municípios mineiros, optando por adiar todo o processo no estado. Com isso, não houve votação para nenhum dos níveis — estadual, municipal ou nacional — em Minas Gerais, prejudicando a consolidação dos dados necessários à definição do quadro geral da eleição interna.
O adiamento afetou diretamente os prazos estipulados pelo Diretório Nacional, que esperava receber os resultados até as 14h desta segunda-feira (7). A nova data da eleição em Minas ainda não foi definida, e o cenário permanece indefinido.
Em entrevista coletiva neste domingo (6), o presidente interino do PT, senador Humberto Costa, classificou como “equivocada” a judicialização do processo. “Sou da opinião de que o partido tem sua autonomia garantida. Todas as decisões são tomadas por maioria, e neste caso houve ampla concordância no Diretório Nacional. Acho um equívoco recorrer ao Judiciário para tratar de uma questão interna da legenda”, afirmou o senador.
A direção nacional informou que irá contestar judicialmente a decisão e avaliar os próximos passos após o desfecho jurídico do caso. Em meio à crise, foi convocada uma reunião extraordinária do Diretório Nacional para o dia 8 de julho, às 17h, com o objetivo de debater não apenas o impasse em Minas, mas também outras judicializações em curso por filiados que contestam decisões partidárias.
No comunicado oficial divulgado pela Executiva Nacional, o partido reafirma seu compromisso com a legalidade, mas sinaliza preocupação com os impactos institucionais. “A decisão busca cumprir a ordem judicial sem comprometer a organização do processo democrático interno”.
A indefinição em Minas, um dos estados com maior peso político dentro do PT, tem potencial de interferir diretamente no resultado final da disputa nacional. Até que o impasse seja resolvido, o processo eleitoral do partido seguirá sem previsão de conclusão.






