Licoln Town Car: a última Banheira americana

A imagem mostra o logo da Cadillac, mas o carro a frente é um versão do Lincoln Town Car, o último dos legítimos ‘barcos de rodas’ americanos

Por Renato Parizzi para o dezeroacem.com.br

Como vocês acompanharam, tirei alguns dias de férias em dezembro e fui para os Estados Unidos – viagem excelente. Pude descansar e curtir alguns parques e costumes locais que sempre me agradaram muito. Mas, como um amante de carros, escolhi bem os veículos que eu queria alugar por lá. O Lincoln Town Car não era um deles.

Ao todo foram dois. Mas, infelizmente, não consegui nenhum dos que estavam nos meus planos.

Antes de ir, liguei do Brasil para algumas locadoras norte-americanas e foi na Avis que encontrei o carro que eu queria alugar, por um preço que eu podia pagar: Cadillac CTS. A ligação foi no início de novembro e já aproveitei para fazer a reserva. No final de novembro, liguei novamente e eles confirmaram a minha reserva. Para ter certeza, paguei o alguel a vista aqui do Brasil.

Dois dias antes de viajar, mandei um e-mail para a Avis e eles disseram que o possível seria feito para que eu pegasse um Cadillac. Não estava garantido, mas me pediram para ficar tranquilo porque o CTS era um veículo muito procurado e que eles tinham muitos na frota.

Nos EUA

Chegando nos Estados Unidos, após passar pela imigração em Miami, fui até o balcão da Avis para buscar o meu sonhado CTS. Para a minha grande decepção, eles não tinham o CTS à minha espera, muito menos tinham o Cadillac CTS na frota da Avis na Florida! Fiquei revoltado! Um completo despreparo e desrespeito da Avis com o consumidor! Alugar o Cadillac CTS por uma semana era o presente que eu estava me dando de aniversário desde quando tornei a viagem possível.

Pedi então para eles me darem um carro menor e parte do dinheiro de volta. Eles disseram que não poderiam fazer isso. Eu poderia pegar um carro menor, mas que o valor não seria devolvido. Cansado pelo voo e nervoso com a situação, como última alternativa, pedi então um Chevrolet Camaro (comum ou conversível) como forma deles se redimirem. Resultado: eles tinham o Camaro conversível, mas eu teria que pagar US$ 500 (!!) a mais pelo aluguel, diferença bem superior ao que eu paguei para levar o Cadillac.

Sem forças para discutir, peguei a única opção disponível na mesma classe do CTS: um Lincoln Town Car preto – a banheira americana. Depois de sair do aeroporto e nos dois dias seguintes, visitei mais quatro lojas da Avis na Florida para trocar o carro pelo Cadillac e a resposta foi a mesma: não temos o CTS na frota da Avis na Florida. Lamentável. Nunca mais alugo veículo pela Avis na minha vida.

Sem ter muito o que fazer, tentei aproveitar o clássico sedã norte-americano. Minha namorada, no primeiro contato com o carro, disse que ele parecia aqueles de “pimps” ou de funerária.

Quando entrei no veículo, as primeiras coisas que chamaram a minha atenção foram o banco interiço na frente (até seis passageiros poderiam andar no veículo), a alavanca do câmbio localizada no painel, ao lado direito do volante (como nos carros antigos, liberando espaço para o sexto ocupante) e, principalmente, o ultrapassado painel, digno de carros do século passado.

Por mais que o carro fosse muito espaçoso, confortável e mesmo com os ajustes, encontrar uma posição de dirigir foi difícil. O banco não era bom para os mais altos, mas era excelente para os mais gordinhos. O revestimento em couro preto era de qualidade, assim como o material aplicado no painel. Mas, mesmo num veículo 2011/2011, tudo parecia velho. Realmente o Town Car implora pela aposentadoria.

Em relação aos equipamentos, nada de diferente do mínimo que eu esperava de um veículo dessa categorias nos Estados Unidos: ar-condicionado de duas zonas, direção assistida, freios com sistema ABS, controle de tração, airbag duplo, ajuste de altura do volante (sem profundidade, infelizmente) e do pedal do freio (muito bom), computador de bordo (com “econômetro” digital), trio elétrico, banco do motorista e do passageiro dianteiro direito com aquecimento, alarme, piloto automático e controles do som com comandos no volante, CD-Player, entre outros itens.

O que chamou a minha atenção negativamente foi a falta de apoios de cabeça no banco traseiro (vejam a última foto). O carro tinha um ressalto no encosto, mas achei difícil considerá-los apoios de cabeça.

Veja também:


 

Debaixo do capô

Para empurrar a banheira de 5,47 m de comprimento, 1,50 m de altura, 2,17 m de largura (com os espelhos e 1,99 m sem contar com os retrovisores) e com 2.042 kg de peso (isso mesmo!), a Licoln equipa o Town Car com um motor V8 4.6 Flex Fuel (capaz de rodar com 85% etanol do milho + 15% gasolina) que desenvolve decepcionantes 242 cv de potência a 4.900 rpm e impressionantes 39,68 mkgf de torque a 4.100 rpm. A marca priorizou o torque para fazer a barca andar.

O motor poderia ser mais eficiente, com desempenho e média de consumo melhores, ainda mais em um país que começa a se importar em poupar combustível – mais para não doer tanto no bolso do que para salvar o planeta. Mas o câmbio, automático de quatro marchas (sem opção de trocas sequenciais), também não ajudou, sendo um dos grandes culpados pelo alto consumo.

Mesmo com excelente ruas e rodovias (em sua maioria tapetes), que permitem velocidades constantes, o Town Car fez, na cidade, média de 16 milhas por galão (6,81 km/l), enquanto na estrada, média de 24 milhas por galão (10,21 km/l), rodando a 70 milhas por hora (112 km/h) – números com o ar-condicionado ligado 80% do tempo. O tanque leva 71,82 litros de gasolina.

595 litros no porta-malas! Foto da direita: CarData/Reprodução

O que realmente merece destaque no Town Car é o seu espaço. Para os ocupantes, os 2,99 m de distância entre-eixos garantiam conforto para cinco adultos (um Chevrolet Celta, por exemplo, mede 3,78 m de comprimento). E o melhor: os cinco adultos pode colocar toda a bagagem no imenso porta-malas de 595 litros de capacidade. Muito bom!

Concluindo

Minha experiência com o Lincoln Town Car foi boa de uma maneira geral, pois o comportamento do veículo representou exatamente o que eu precisava: calmaria, conforto para descansar e muito espaço (tanto para os ocupantes, quanto para o motorista). Mas o modelo precisa, urgente, ser substituído por um veículo mais moderno, pois seu motor tem desempenho ruim e média de consumo alta; seu visual não precisa de muitos comentários; e sua tecnologia embarcada não é digna de um carro que parte de US$ 47.255.

Fotos: Lincoln/Divulgação

 

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