Por Tiago Lucero
A política econômica do Brasil está pendurada por um fio. E o fio agora está nas mãos de um presidente disposto a puxar o gatilho que pode detonar tudo. Lula, que já fez da gastança estatal uma doutrina, agora cogita levar ao Supremo Tribunal Federal a derrubada do aumento do IOF — um imposto regressivo, inflacionário, impopular e repelido pelo Congresso com total razão. Só que, em vez de aceitar o recado institucional claro vindo da casa do povo, Lula cogita apelar à sua tropa togada para fazer valer a sua vontade. É a versão brasileira do botão vermelho.
Vamos recapitular o cenário: o país está mergulhado numa crise econômica estrutural, provocada por uma combinação letal de populismo fiscal, inchaço da máquina pública e descontrole inflacionário. São três anos de promessas falsas, investimentos fantasmas e assistencialismo que não emancipa ninguém — apenas anestesia momentaneamente os sintomas do fracasso. É o Estado babá, bancando tudo, enquanto implode por dentro.
A inflação corrói o poder de compra dos mais pobres. A renda está derretendo. O crédito desapareceu. E o presidente responde com mais impostos — como se confiscar ainda mais da população resolvesse o problema criado por ele próprio.
A tentativa de aumentar o IOF foi barrada pelo Congresso. E com razão. O Congresso, mesmo cheio de vícios e caciques fisiológicos, ainda é um freio institucional mínimo contra o abuso. E agora Lula cogita ignorar esse freio, recorrer ao STF e usar sua máquina jurídica aparelhada para impor um arrocho disfarçado de justiça social.
É aí que entra o ponto mais perigoso: o salto institucional para o autoritarismo velado. Porque o presidente cogita simplesmente anular uma decisão legítima do Parlamento, por meio de um Supremo que já se comporta como parceiro, não como juiz. Isso não é democracia — isso é ditadura de toga por procuração.
E o mais perverso: tudo isso é maquiado como se fosse “para os pobres”. Mas Lula não governa mais com responsabilidade social. Governa com chantagem moral. O discurso é sempre o mesmo: “se não aumentar impostos, os pobres sofrerão”. A pergunta é: desde quando jogar a inflação nas costas da população mais vulnerável é cuidar dos pobres?
A verdade é que o que Lula quer não é governar com equilíbrio. É manter sua popularidade à base de gasto público, mesmo que para isso destrua a sustentabilidade fiscal do país. E quando o Congresso, mesmo tímido, diz “não”, ele responde como sempre respondeu: com ameaça, com judicialização, com desrespeito à institucionalidade.
A bomba já foi armada nas contas públicas. A dívida é impagável. A confiança está em frangalhos. Empresários estão fugindo. A classe média está sendo triturada. Cada 37 dias, um imposto é criado ou aumentado. E agora, diante da primeira tentativa real do Congresso de barrar essa máquina insana, Lula cogita apertar o botão nuclear: jogar o STF contra o Legislativo.
A pergunta é: o Congresso vai aceitar?
Porque essa é a encruzilhada. Ou o Legislativo reage com força — e talvez com consequências imprevisíveis — ou se curva de vez a um modelo onde o Executivo gasta sem freios, o STF chancela sem pudores e o povo paga calado, com menos comida na mesa, mais imposto no boleto e mais censura no discurso.
Lula talvez ache que pode tudo. Mas a história ensina que todo governo que passou a acreditar que podia dobrar as instituições acabou derrotado por elas. Ele está prestes a descobrir que puxar o gatilho do autoritarismo tem um preço. E pode não ser o Congresso que explode — pode ser ele próprio.
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