Por Tiago Lucero
A nova vítima da “democracia” brasileira é uma mulher que ousou gritar “ladrão!” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado? Está sendo procurada pela Polícia Federal, acusada de calúnia e poderá responder criminalmente. A pergunta que não quer calar é: desde quando gritar uma obviedade virou crime no Brasil?
Vamos colocar os pingos nos is. Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Teve a sentença confirmada por três instâncias. Passou de réu a condenado em tempo recorde — pela consistência das provas. O processo foi anulado? Sim. Mas não foi porque ele foi absolvido, tampouco por falta de crime. O que houve foi um truque de mágica jurídico-política chamado “incompetência territorial”: o Supremo disse que ele deveria ter sido julgado em Brasília, não em Curitiba. E assim, puff!, o ladrão foi descondenado.
Então vamos ser claros: a mulher que gritou “ladrão” não mentiu. Ela apenas antecipou sua defesa. No Código Penal, isso tem nome: exceção da verdade. Quando alguém é acusado de calúnia por chamar outro de criminoso, pode se defender provando que é verdade. E no caso de funcionários públicos acusados de crimes funcionais, a exceção da verdade é plenamente admissível.
Ou seja: Lula pode até berrar, mas juridicamente a mulher tem uma bala de prata. Basta dizer: “eu disse que é ladrão porque ele foi condenado como ladrão. Eu não inventei nada. Tá nos autos, tá no histórico.” E está mesmo.
Mas vamos além da letra da lei. Vamos à lógica. Lula é o homem que, em plena luz do dia, declarou que “Deus deixou o sertão sem água porque sabia que eu ia ser presidente e trazer água pra cá”. O mesmo Lula que abraça réus confessos, que anda com mensaleiros soltos, que distribui cargos para condenados da Lava Jato, que governa cercado por gente que deveria estar de tornozeleira e não de terno.
E ele se ofende porque alguém grita ladrão? Me desculpa, mas se isso fosse mesmo uma calúnia, era pra rir, não pra prender.
Vamos ser francos: a indignação não é de quem é injustiçado. É de quem se enxerga na ofensa. Se eu estiver andando na rua e alguém gritar “aí, ladrão!”, eu vou rir. Porque eu sei que não sou. Agora, se o sujeito para, se revolta, manda investigar, prende e processa… talvez, só talvez, tenha um fundinho de identificação ali. A velha história do “quem se ofende, confessa”.
O mais patético disso tudo é que essa perseguição escancara a alma autoritária desse governo. A liberdade de expressão é celebrada para artistas engajados, para militantes de esquerda, para jornalistas amigos do rei. Mas quando alguém do povo fala o que o povo pensa — aí vira crime.
Essa senhora, que ousou gritar o que milhões pensam, é a síntese do Brasil real: aquele que sabe muito bem quem roubou, quando roubou, como roubou e por que hoje está solto. A diferença é que ela teve coragem de falar.
Lula não foi inocentado. Ele foi descondenado. E isso, juridicamente e moralmente, não apaga os fatos. Roubaram bilhões, mentiram, manipularam, prenderam inocentes e agora querem calar quem lembra disso.
Mas se a cada grito de “ladrão” Lula mandar prender alguém, vai ter que construir um novo presídio: um só para o Brasil inteiro.






