Contratos milionários de locação privada para órgãos públicos voltam a assombrar a gestão Ibaneis Rocha. A expressão “máfia dos aluguéis” não é mais fofoca de bastidor — é debate público com fatos acumulados.
Durante anos, nos corredores da política brasiliense, “máfia dos aluguéis” era o apelido incômodo para a prática recorrente: o GDF optar por prédios privados caros em vez de usar ou reformar imóveis públicos, com contratos muitas vezes por dispensa de licitação, valores questionáveis e pouca concorrência. Na gestão Ibaneis Rocha, o termo ganhou força com exemplos concretos — como o campus da Universidade do Distrito Federal em prédio alugado por cerca de R$ 110 milhões em cinco anos, ou a locação de R$ 42 milhões para a Secretaria de Economia, sempre com críticas sobre critérios técnicos e transparência.
A Operação Blackboard, deflagrada pelo MPDFT em 12/03/2026, jogou lenha na fogueira. A ação investiga desvio de mais de R$ 46 milhões (chegando a quase R$ 50 milhões) na Secretaria de Educação via locação fraudulenta de imóvel no Setor de Postos e Motéis Sul (Candangolândia), para abrigar o CEF 01 e a CRE Núcleo Bandeirante. O contrato de 2019/2020 gerou mais de R$ 19 milhões em aluguel e reformas — enquanto uma escola próxima poderia ser reformada por custo bem menor, e o prédio original segue em reforma de R$ 12 milhões em 2025. Suspeitas: dispensa ilegal de licitação, superfaturamento, corrupção, peculato, lavagem e organização criminosa. Foram 31 mandados de busca no DF, SP, GO e TO, incluindo a CLDF, o Buriti e a casa do deputado Hermeto (MDB), líder do governo na Câmara, que destinou emendas para o Pdaf (parte desviada para o aluguel).
Um dos pontos mais curiosos revelados pela Operação Blackboard é a forma como o locador — Carlos Eduardo Coelho Ferreira, sócio-administrador da Saída Sul Hospedagens Ltda. (que também opera o A2 Motel) — adquiriu o imóvel. Segundo o MPDFT, ele comprou o prédio com recursos do próprio contrato de aluguel pago pelo GDF. Ou seja: o dinheiro público financiou a aquisição do imóvel que depois foi alugado de volta ao Estado. Um ciclo perfeito de “pagamento antecipado” que levanta suspeitas graves de fraude e enriquecimento ilícito. O empresário, residente em São Paulo, é apontado como beneficiário direto do esquema.
Quando se junta tudo — locações recorrentes por dispensa, valores altos, imóveis “específicos” sem concorrência ampla e agora esse financiamento circular com verba pública —, o padrão fica difícil de ignorar. O Estado vira cliente cativo do mercado imobiliário privado, enquanto escolas e órgãos públicos poderiam usar patrimônio próprio. Não é um caso isolado; é uma lógica que molda a gestão imobiliária do GDF há anos. A “máfia dos aluguéis” deixou de ser rótulo político para virar investigação concreta. O que falta para uma CPI ampla na CLDF sobre locações do governo? Transparência total e auditoria independente, antes que mais milhões evaporarem em contratos que beneficiam poucos.
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