Na manhã desta quinta-feira, 19, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e Crime Organizado (Decor), com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, deflagrou a Operação “Falso Advogado” desarticulando organização criminosa que vinha atuando no chamado Golpe do Falso Advogado em todo Brasil. Foram expedidos 45 mandados judiciais, dentre estes, 20 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão, os quais estão sendo cumpridos na capital paulista e na cidade de Praia Grande/SP.
O golpe era aplicado da seguinte forma: após a obtenção ilegal de credenciais de advogados, os criminosos conseguiam acessar diversos processos judiciais eletrônicos, obtendo todos os dados, não só do processo como também das partes envolvidas. Apresentando-se como advogado das partes, os criminosos, então, solicitavam valores (taxas e impostos) das vítimas com a história fantasia de que estes seriam essenciais para a conclusão do processo judicial.
Em razão da aparente confiabilidade das informações, as vítimas, então, depositavam expressivos valores por acharem que estavam tratando com seu real advogado. Através da análise de vestígios cibernéticos e financeiros, a DRCC/PCDF identificou não só os principais integrantes da referida organização criminosa, como também a estrutura e forma de atuação do grupo criminoso. Foram identificados e desarticulados os núcleos de acesso ilegal a credenciais de advogados, o núcleo de execução dos crimes e o núcleo financeiro.
A organização criminosa detinha clara divisão e especializada de funções, da seguinte forma:
• grupo responsável pela obtenção ilegal de credenciais de advogado e extração de dados processuais (os chamados ‘puxadores’);
• os responsáveis por entrar em contato inicial com as vítimas via aplicativo de mensagens, simulando gabinetes advocatícios (os chamados ‘montadores’);
• aqueles especializados em contatos telefônicos diretos, munidos de roteiros sofisticados de engenharia social (isca e história fantasia para induzir a erro a vítima);
• grupo encarregado da coleta e lavagem dos valores ilícitos;
• e ainda, os fornecedores de chips telefônicos e contas bancárias.
Foi constatada a atuação do grupo criminoso nos seguintes estados da Federação: São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Distrito Federal, Acre, Alagoas, Ceará, Roraima. Visando a descapitalização e a asfixia econômica da organização criminosas foram requeridos e deferidos também sequestros e bloqueios judiciais de valores oriundos do crime em contas bancárias e de imóveis de propriedade dos integrantes do grupo criminoso. Os autores responderão pelos crimes de estelionato qualificado por meio eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas, se somadas, podem chegar até 26 (anos) de reclusão.
A Operação Falso Advogado, deflagrada pela PCDF, pode ser considerada a maior já realizada no Brasil em relação a este tipo de golpe, demonstrando ainda a plena integração entre a Polícias Judiciárias dos Estados e pronto combate ao novo fenômeno criminal dos crimes cibernéticos os quais não têm espaço definido ou fronteiras em sua execução.
Ao todo 70 policiais da PCDF, lotados no Decor e na Divisão de Operações Especiais (DOE) se deslocaram para São Paulo para cumprimento das ordens judiciais. Até o momento, já foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão e 14 pessoas foram presas.






