A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a Operação Eixo para o cumprimento de 96 mandados judiciais contra uma complexa organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de capitais. A ação contou com a participação de aproximadamente 200 policiais civis, mobilizados para o cumprimento simultâneo de medidas judiciais no Distrito Federal e em outros estados da federação.
Nesta fase ostensiva, foram deferidos 40 mandados de prisão temporária, pelo prazo de 30 dias, além de mandados de busca e apreensão para 56 endereços. As ordens judiciais também alcançaram amplo conjunto de medidas assecuratórias patrimoniais, com decretação de indisponibilidade de bens de 49 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, além do bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, bloqueio de ações custodiadas na CVM, sequestro de veículos, sequestro de três imóveis e bloqueio de criptoativos.
Os mandados são cumpridos no Distrito Federal (Gama, Samambaia, Itapoã, Sobradinho, Santa Maria e Vicente Pires), em Goiás (Valparaíso, Cidade Ocidental e Planaltina), no Estado de São Paulo (Guarujá e na capital), em Minas Gerais (Uberlândia), no Estado do Amazonas (Manaus), no Paraná (Foz do Iguaçu) e em Santa Catarina (Jaraguá do Sul e São Lourenço do Oeste). A execução das medidas e das diligências contou com apoio da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), do Estado de São Paulo (PCSP), de Santa Catarina (PCSC), do Paraná (PCPR), do Amazonas (PCAM), e de Goiás (PCGO), da Polícia Penal do DF, bem como da Divisão de Operações Especiais (DOE) da PCDF.
As medidas visam interromper o fluxo de drogas destinado à capital, enfraquecer o braço financeiro da organização investigada e responsabilizar toda a cadeia envolvida. Até o momento, não há indícios de instalação, no Distrito Federal, de estrutura própria de facções criminosas cariocas, embora a investigação tenha identificado conexões operacionais relevantes com integrantes e ambientes criminosos de outros estados.
A investigação, iniciada em 2024 pela 13ª DP (Sobradinho), revelou a existência de uma estrutura criminosa sofisticada, voltada ao abastecimento do mercado de drogas no Distrito Federal e à ocultação de valores ilícitos por meio de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro. Os elementos reunidos apontam a atuação, no DF, de núcleos ligados a facções criminosas oriundas do Rio de Janeiro, em contexto de articulação criminosa interestadual com reflexos na Capital Federal. Esta conexão ficou clara quando, durante a investigação, se observou a viagem de três dos investigados do DF para uma comunidade do Rio de Janeiro para treinamento no uso de armas de grosso calibre, como fuzis.
O Inquérito Policial revelou a existência de uma estrutura criminosa sofisticada, voltada ao abastecimento do mercado de drogas no Distrito Federal e à ocultação de valores ilícitos por meio de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro. Os elementos reunidos apontam a atuação, no DF, de núcleos ligados a facções criminosas oriundas do Rio de Janeiro, em contexto de articulação criminosa interestadual com reflexos na capital federal. Durante a investigação se identificou a viagem três dos investigados do DF para uma comunidade do Rio de Janeiro para treinamento no uso de armas de grosso calibre.
As apurações identificaram a existência de dois núcleos centrais de atuação no Distrito Federal, ligados a grupos criminosos rivais. Um dos principais investigados exercia papel relevante na logística de remessa de entorpecentes oriundos de outros estados para abastecimento do mercado ilícito local. Também foram reunidos indícios consistentes de vinculação de investigados a ambientes criminosos fortemente armados e associados a facções já consolidadas fora do Distrito Federal, circunstância que reforça a gravidade do caso e o potencial de difusão operacional dessas organizações.
No eixo financeiro, a investigação revelou um mecanismo altamente estruturado de lavagem de dinheiro, com emprego de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, criptoativos e operadores distribuídos em diferentes unidades da federação. Foram identificadas pessoas jurídicas de curta duração e sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados, registradas em estados como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Houve, ainda, a pulverização de recursos por transferências em valores padronizados, uso de plataformas de criptoativos e saques massivos em espécie, expediente voltado a dificultar o rastreamento patrimonial e a atuação dos mecanismos oficiais de controle. Apenas uma das contas investigadas, como exemplo, registrou movimentação superior a R$ 79 milhões em curto período.
As apurações também alcançaram investigados estrangeiros apontados como peças relevantes na engrenagem financeira e logística vinculada aos núcleos criminosos apurados. Entre os alvos, há dois cidadãos colombianos e um venezuelano. Um dos colombianos já havia sido investigado pela Polícia Federal por sua atuação no núcleo de lavagem de dinheiro no estado do Amazonas de facção criminosa originária do Rio de Janeiro, encontrava-se em difusão vermelha da Interpol e foi preso recentemente na Espanha. O outro colombiano também se encontra preso em seu país de origem. O alvo venezuelano está localizado em Santa Catarina. Todos aparecem, em graus distintos, inseridos na dinâmica operacional do grupo.
A periculosidade da organização também ficou evidenciada em episódio envolvendo um dos responsáveis pela recepção e distribuição de drogas remetidas ao Distrito Federal. Ele morreu em agosto de 2024 em confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais enquanto transportava grande carregamento de maconha, portava arma de fogo de uso restrito e mantinha anotações vinculadas à contabilidade do tráfico.
Os investigados poderão responder, conforme sua participação, pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa majorada pela conexão com outras organizações criminosas independentes e lavagem de dinheiro majorada. Somadas, as penas em abstrato variam de 13 a 55 anos de reclusão, além de multa.
Mais detalhes e o resultado final da ação serão fornecidos pelos delegados da Draco em entrevista coletiva às 10 horas, no auditório do Instituto de Identificação (II), no complexo da PCDF.
Assessoria de Comunicação – Ascom/DGPC
PCDF, excelência na investigação







