Perícia indica fraude de Moraes em operação contra empresários

Deputados e senadores vão entregar laudo técnico ao STF

Parlamentares anunciaram nesta terça-feira (9) que vão encaminhar aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo técnico sobre documentos que embasaram uma operação de busca e apreensão contra empresários apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em agosto de 2022.

O parecer, assinado pelos peritos Reginaldo e Jacqueline Tirotti, aponta divergências entre as datas do relatório atribuído ao delegado Fábio Alvarez Shor e a execução da medida judicial. Embora o documento traga a data de 19 de agosto, os metadados indicam que o arquivo foi gerado apenas em 29 daquele mês, seis dias após a operação, que ocorreu em 23 de agosto.

Segundo a perícia, o relatório também não possui assinatura digital qualificada (ICP-Brasil), e as rubricas presentes seriam graficamente idênticas, o que sugere inserção digital da assinatura. O laudo resume os achados como “antedatação e ausência de autenticação inequívoca”.

A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, atingiu nomes de destaque do empresariado, como Luciano Hang (Havan) e Meyer Nigri (Tecnisa), resultando em bloqueio de perfis, apreensão de celulares e quebras de sigilo bancário.

O tema voltou ao debate após audiência no Senado, em 2 de setembro, quando o ex-assessor de Moraes no TSE, Eduardo Tagliaferro, relatou que recebeu pedidos para confeccionar relatórios com data retroativa.

O laudo pericial será entregue ao STF por deputados e senadores, que defendem a revisão dos fatos à luz das conclusões técnicas.

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