PF mira gabinete na Câmara em operação contra desvio de verbas no Ceará

FOTO: WIKIPEDIA

Deputado Júnior Mano, do PSB-CE, é alvo de busca da Polícia Federal; esquema teria movimentado milhões em fraudes licitatórias com impacto direto em cidades do interior

Era pouco antes das 7h da manhã desta terça-feira (8) quando agentes da Polícia Federal subiram silenciosamente os corredores da Câmara dos Deputados, em Brasília. O destino: o gabinete do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE), alvo de uma operação que expõe um novo e complexo esquema de desvio de verbas públicas no estado do Ceará. O parlamentar, que até então mantinha discrição nacional, agora está no centro de uma investigação que envolve milhões e atinge em cheio a confiança da população em seus representantes.

Para moradores de cidades pequenas como Nova Russas, Canindé e Baixio, cada centavo que entra nos cofres públicos faz diferença no posto de saúde, na escola, no transporte escolar. São esses municípios, justamente, os suspeitos de terem sido usados como peça-chave em um esquema de fraudes em licitações — onde, segundo a PF, contratos públicos eram negociados em troca de propina e favorecimento a empresas ligadas ao grupo investigado.

A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, mobilizou 15 mandados de busca e apreensão em Brasília e em cinco municípios cearenses. Segundo a investigação, o suposto esquema envolvia o direcionamento de recursos federais para prefeituras, que, em contrapartida, favoreciam empresas específicas em processos licitatórios. Em resumo: verba pública, licitação arranjada, dinheiro desviado.

O STF também determinou o bloqueio de R$ 54,6 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas à fraude, com o objetivo de interromper movimentações suspeitas e garantir possível reparação aos cofres públicos.

Imagine o seguinte: dinheiro que deveria financiar merenda escolar ou reformar postos de saúde sendo sugado por um sistema que privilegia os amigos do poder. Essa é, segundo a PF, a engrenagem do esquema revelado. Em vez de gerar melhorias, a verba federal teria sido usada como moeda política e canal de enriquecimento ilícito.

A entrada da Polícia Federal no Congresso Nacional não é algo comum — e sinaliza o peso da operação. Até o momento, o deputado Júnior Mano ainda não se pronunciou oficialmente.

O caso, agora nas mãos do STF, levanta a temperatura entre os bastidores do PSB e pode desencadear uma nova leva de desdobramentos políticos e judiciais nos próximos dias. A presença do nome de um deputado federal entre os alvos acende um alerta para o grau de envolvimento institucional que pode existir no esquema.

Enquanto a elite política se movimenta entre gabinetes e tribunais, a população dos pequenos municípios afetados segue esperando que escolas tenham estrutura, que hospitais sejam equipados, que licitações sejam honestas. Esse escândalo expõe mais do que a corrupção: revela o impacto devastador que a má gestão pública tem sobre a vida de quem mais precisa.

A investigação ainda está em curso, mas uma pergunta já ecoa no plenário, nas ruas e nas redes sociais: quantas cidades ainda têm o futuro roubado por quem deveria protegê-las?
A resposta pode vir nas próximas fases da operação — ou nas urnas.

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