Operação prende líderes comunitários acusados de manipular protestos contra ação policial
Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizava e financiava movimentos sociais para impedir a presença de forças policiais na Favela do Moinho, região central de São Paulo. A operação foi deflagrada nesta segunda-feira (8) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio das polícias Civil e Militar.
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Entre os presos está Alessandra Moja, irmã de Leo do Moinho, apontado como chefe do PCC na comunidade e já detido desde o ano passado.
Segundo os promotores, Alessandra comandava a Associação dos Moradores da Favela do Moinho, responsável por organizar protestos que “blindavam a comunidade de intervenções policiais”. A apuração indica que manifestações legítimas eram manipuladas com a infiltração de criminosos e usadas como barreira contra operações de segurança.
“O crime organizado mantém em prática a estratégia de blindar o local contra a presença dos órgãos de segurança pública, por meio de manipulação e financiamento de movimentos sociais legítimos, que utilizam estratégias como instigação por criminosos infiltrados no meio dos manifestantes/moradores e registro de incidentes relacionados ao uso da força por parte dos agentes públicos”, apontam os investigadores.
Além de organizar atos, Alessandra também teria atuado nas “empreitadas criminosas” do irmão. O Gaeco afirma que ela coordenava um esquema de cobrança de propina de famílias beneficiadas por acordos com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), já revelado em reportagens anteriores.
A operação reforça a linha de investigação do Ministério Público sobre a influência do PCC em territórios urbanos por meio da combinação de ações criminais, controle social e infiltração em movimentos locais.






