Quaest: metade dos brasileiros considera aceitável interferência externa para prender ditador

Pesquisa revela divisão da opinião pública após captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA e expõe mudança no olhar sobre soberania e autoritarismo

Metade dos brasileiros avalia como aceitável que um país interfira em outro para prender um ditador. É o que mostra a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (15), em meio à repercussão internacional da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, no início de janeiro.

Segundo o levantamento, 50% dos entrevistados consideram legítima a interferência internacional nesse tipo de situação. Outros 41% discordam da ideia, enquanto 9% não souberam ou preferiram não responder. O dado revela um país dividido, mas com uma maioria relativa disposta a relativizar o princípio da soberania diante de regimes autoritários.

O contexto da pergunta não é neutro. Ela foi feita após a operação americana que resultou na prisão de Maduro, acusado pelos EUA de narcotráfico e “narcoterrorismo”. A ação, descrita oficialmente como policial, teve impacto político imediato na América Latina e reacendeu o debate sobre limites da atuação internacional.

A pesquisa também indica que 46% dos brasileiros aprovam diretamente a operação dos EUA na Venezuela. Já 39% desaprovam, e 15% não se posicionaram. Os números sugerem que, para uma parcela significativa da população, a queda de um ditador pesa mais do que as preocupações com precedentes diplomáticos ou jurídicos.

O caso Maduro ajuda a explicar essa inflexão. O ex-líder venezuelano era alvo de acusações formais desde 2020 e teve sua recompensa elevada progressivamente até alcançar US$ 50 milhões em 2025. Washington também classificava o chamado Cartel de los Soles como organização terrorista, apontando Maduro como líder da estrutura criminosa.

O dado mais sensível da pesquisa, porém, vai além da Venezuela. Ele indica que cresce no Brasil a tolerância — ou mesmo a expectativa — de ações externas contra regimes autoritários, especialmente quando instituições locais são vistas como incapazes de promover justiça. É um sinal de alerta: a defesa da democracia começa a competir, no imaginário popular, com soluções de força.

A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O debate que ela provoca, no entanto, está longe de ser estatístico — é político, moral e cada vez mais urgente.

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