Secretaria de Obras deixa prédio público e passa a pagar R$ 277 mil por mês a imóvel ligado político do MDB

Contrato de cinco anos envolve prédio da família de deputado do MDB, mesmo partido do governador Ibaneis Rocha, em meio a discurso oficial de “aperto de cinto”

Com informações da Globo Brasília

A Secretaria de Obras do Distrito Federal decidiu deixar um espaço público para se instalar em um prédio privado alugado por R$ 277,5 mil mensais, conforme contrato publicado no Diário Oficial do DF (DODF). O acordo tem validade de cinco anos, com custo total estimado em R$ 17.741.352,00 aos cofres públicos.

Chama atenção o fato de o imóvel pertencer à família do deputado federal Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-presidente do Senado e integrante do mesmo partido do governador Ibaneis Rocha (MDB). O contrato foi firmado com a empresa REMMO Participações Ltda., da qual o parlamentar já declarou participação societária à Justiça Eleitoral.

Quem assina o contrato é Rodrigo Antônio Paes Oliveira, filho de Eunício Oliveira. Segundo a própria empresa, em resposta à Rede Globo, não haveria mais ingerência direta do deputado na administração da REMMO.

A mudança ocorre após 18 anos de funcionamento da Secretaria de Obras em um prédio dentro do Parque da NOVACAP, na EPIA Sul — um espaço público que não gerava custos de aluguel ao governo. Segundo a pasta, a NOVACAP solicitou a devolução de um dos prédios, o que teria criado a necessidade da nova locação.

O contrato, no entanto, surge em um momento em que o Palácio do Buriti tem reiterado a necessidade de “apertar o cinto”, alegando uma suposta queda na arrecadação do DF. Essa justificativa, porém, foi contestada pela Associação dos Auditores Fiscais do Distrito Federal, que questiona os dados apresentados pelo governo.

Não é a primeira vez que o imóvel entra no radar do GDF. Em fevereiro do ano passado, o jornal O Estado de S. Paulo revelou a tentativa de locação do mesmo prédio por cerca de R$ 41 milhões para abrigar a Secretaria de Economia do DF — negociação que acabou não avançando.

Questionado, o governador Ibaneis Rocha afirmou que os processos de locação e licitação são conduzidos de forma independente pelas secretarias, sem interferência direta do governo central.

Diante dos valores, do histórico do imóvel e do vínculo político dos proprietários, permanece a pergunta que ainda não foi respondida de forma objetiva: por que deixar um prédio público sem custo para o erário para assumir um aluguel milionário em um momento de suposta crise fiscal?

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