Assessores veem risco eleitoral com alta de preços e tentam conter danos junto à população
A proximidade da entrada em vigor do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos acendeu um alerta no Palácio do Planalto. Embora o governo Lula sustente publicamente um discurso de soberania nacional frente às pressões externas, nos bastidores já há preocupação com os impactos econômicos e eleitorais da medida, prevista para começar a valer em 1º de agosto.
A avaliação de assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de que o enfrentamento direto ao governo norte-americano tem seus limites. O temor principal é que o aumento de preços e possíveis demissões na indústria possam afetar diretamente a popularidade do governo e pesar na campanha pela reeleição em 2026.
“A narrativa da soberania é importante, mas quando o supermercado ficar mais caro e a indústria começar a demitir, não tem soberania que segure a insatisfação popular”, afirmou um interlocutor do governo em caráter reservado.
Nos bastidores, o Planalto articula uma estratégia dupla: manter o tom firme de resistência frente às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, mas também reforçar a mensagem de que o Brasil está tentando reverter a medida. A ideia é mostrar esforço diplomático e preocupação concreta com os efeitos no dia a dia da população.
O temor entre ministros e aliados é de que a medida afete diretamente produtos importados e setores industriais que dependem de insumos norte-americanos, gerando inflação e queda na atividade econômica. Empresários brasileiros já organizam visitas aos EUA para buscar alternativas ou mitigações junto ao governo americano.
Além da pressão externa, o governo também enfrenta dificuldades internas. As tratativas com Washington não têm avançado como esperado, e interlocutores apontam que o clima entre os dois países é de distanciamento, agravado por declarações recentes de ambos os lados.






