Por Estevão Reis
O mês de setembro chegou, e com ele, a oportunidade de iluminarmos um dos temas mais delicados e urgentes de nossa sociedade: a prevenção do suicídio.
O Setembro Amarelo é uma campanha global que nos convida a falar abertamente sobre o assunto, quebrar tabus e, acima de tudo, oferecer um farol de esperança para quem está em sofrimento. Muitas vezes, a dor que leva ao pensamento suicida é silenciosa e invisível para quem está de fora.
Ela pode ser um acúmulo de fatores, como a falta de perspectivas em relação ao futuro, a pressão do mercado de trabalho, a não aceitação de si mesmo, e as frustrações nos relacionamentos pessoais e profissionais. Essas dores emocionais podem se manifestar como um peso esmagador.
A vida moderna, com suas exigências e ritmos acelerados, pode exacerbar sentimentos de estresse, ansiedade e depressão. A depressão, em particular, não é frescura ou falta de força de vontade; é uma condição de saúde mental séria que afeta milhões de pessoas e pode levar a um estado de profunda desesperança.
Como Sair do Labirinto de Pensamentos Suicidas?
A primeira e mais importante atitude é reconhecer a gravidade da situação. A dor que você sente é real e válida. Mas, por mais que pareça, ela não precisa ser eterna. Existem caminhos e pessoas prontas para ajudar.
● Peça ajuda: Você não está sozinho. Falar sobre o que sente é o primeiro passo para
encontrar a saída. Compartilhe sua dor com alguém de confiança, seja um familiar, um
amigo ou um profissional de saúde mental. Existem serviços de apoio disponíveis 24
horas por dia, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece escuta e acolhimento de forma gratuita e sigilosa, ligando para o número 188.
● Busque apoio profissional: Um psicólogo ou psiquiatra pode fornecer as ferramentas e o tratamento necessários para lidar com a depressão e outros transtornos. O acompanhamento profissional é fundamental para entender as causas do sofrimento e construir estratégias de superação.
● Reconecte-se com o que te nutre: Às vezes, a rotina e o desespero nos fazem esquecer do que nos faz bem. Tente resgatar atividades que trazem prazer e paz, como praticar exercícios físicos, ouvir música, estar na natureza ou se dedicar a um hobby. Pequenas ações podem fazer uma grande diferença.
● Seja gentil consigo mesmo: A autocrítica excessiva e a cobrança constante são venenos para a mente. Reconheça que a perfeição não existe e que é humano cometer erros. A não aceitação de si mesmo é um fardo pesado; aprenda a olhar para suas qualidades e a valorizar suas conquistas, por menores que sejam.
O suicídio é a última resposta para a dor de um momento. Mas a vida, com suas complexidades e desafios, é um bem inestimável.
Em vez de abrir mão dela, vamos juntos buscar caminhos para superarmos a dor, redescobrirmos a esperança e construirmos um futuro com mais sentido.
Se você está em sofrimento ou conhece alguém que esteja, não hesite em procurar ajuda. A vida vale a pena.
Assina:
Estevão Reis: Terapeuta comunitário, extensionista em tratamento da dependência química. Foi diretor de comunidade terapêutica, administrador de empresa e funcionário público.






