Governador de São Paulo diz a aliados em Lisboa que não deixará mandato estadual para disputar presidência; recado busca conter especulações sobre projeto nacional
Em meio à crescente movimentação política para as eleições de 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu pôr um freio nas especulações. Durante encontro reservado com aliados em Lisboa, o ex-ministro da Infraestrutura afirmou de forma categórica que não será candidato à Presidência da República, ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) venha a pedir diretamente sua participação na disputa.
A declaração foi considerada definitiva por pessoas próximas, que veem no gesto uma tentativa clara de desarmar rumores e reafirmar seu compromisso com o mandato à frente do governo paulista. “Tarcísio foi direto: não sai em 2026. Nem com apoio, nem com pressão”, relatou um aliado que participou da conversa.
Incômodo com rumores e recado à base
Nos bastidores, o governador demonstrou incômodo com informações que circularam nas últimas semanas dando conta de que ele teria discutido sua possível candidatura com líderes políticos e empresários. Segundo Tarcísio, esses boatos são “construções forçadas” por setores interessados em desgastá-lo ou forçá-lo a tomar posição antes da hora.
O governador paulista se tornou nome recorrente nas apostas de aliados bolsonaristas desde que Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, Tarcísio vem reiterando a expectativa de que o Supremo Tribunal Federal (STF) eventualmente reverta a inelegibilidade do ex-presidente, o que abriria caminho para sua candidatura em 2026.
De acordo com fontes próximas, Tarcísio acredita que uma eventual reabilitação política de Bolsonaro seria uma saída institucional mais estável, com menor risco de polarização radical e possível desgaste do Judiciário — especialmente em um cenário em que crescem pressões por uma CPI contra ministros do STF e pedidos de impeachment no Congresso.
“Militar cumpre missão até o fim”
Durante o encontro, o governador também ressaltou sua formação militar como base para sua decisão. “Missão dada é missão cumprida”, teria dito, em referência ao mandato que recebeu dos paulistas em 2022. Ele reforçou que renunciar ao governo paulista em abril de 2026, prazo legal para disputar outro cargo, comprometeria entregas estratégicas que só devem ser concluídas no fim de seu mandato — ou até em um eventual segundo governo.
Esse argumento tem peso em sua narrativa política: Tarcísio aposta no desempenho administrativo e em grandes projetos de infraestrutura, desestatização e mobilidade urbana para consolidar sua imagem de gestor técnico, afastado de disputas ideológicas ou ambições eleitorais imediatas.
Blindagem contra pressão interna
Ao se posicionar publicamente dessa forma, Tarcísio também envia um recado interno ao próprio campo bolsonarista. Com a base órfã de uma candidatura viável e competitiva em 2026, diversos grupos vinham tentando empurrar o governador paulista para a linha de frente da oposição. Com a negativa, o cenário eleitoral à direita volta a ser um campo de incógnitas.
Mesmo com essa posição, aliados não descartam que Tarcísio possa mudar de ideia futuramente, especialmente se Bolsonaro continuar inelegível e o cenário político se alterar drasticamente. Mas, por ora, o governador parece disposto a blindar sua gestão em São Paulo e evitar qualquer movimentação que o desvie da rota estadual.
“O foco é São Paulo. O resto é especulação”, disse um interlocutor direto do governador, resumindo o tom da conversa em Lisboa.
Com isso, Tarcísio se afasta — ao menos por enquanto — das disputas pelo Planalto, reafirma sua identidade como gestor técnico e mantém um pé fora da arena nacional, mesmo cercado por vozes que o enxergam como o herdeiro natural do bolsonarismo.






