Tarifas de Trump pressionam Itamaraty por diplomacia mais técnica e menos ideológica

Diplomatas e ex-chanceleres cobram resposta equilibrada à crise comercial com os Estados Unidos

A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% a produtos brasileiros colocou o Itamaraty no centro da crise diplomática. O corpo diplomático do Brasil atua nos bastidores para evitar prejuízos bilionários e tenta preservar canais de negociação até a entrada em vigor das medidas, prevista para 1º de agosto.

O ex-chanceler Aloysio Nunes classificou como “cafajeste” o ato de Trump publicar o conteúdo de uma carta enviada ao presidente Lula antes de sua entrega formal. Ele defende que o Brasil invoque a Lei da Reciprocidade para aplicar sanções comerciais. Já Rubens Ricupero, ex-embaixador em Washington, afirmou que o momento exige serenidade e destacou que ainda há tempo hábil para negociações.

O ex-embaixador Rubens Barbosa afirmou que o Itamaraty enfrenta dificuldades para apresentar posições técnicas e tradicionais da política externa, em meio a um cenário ideologizado. Ele considerou um erro a quebra de canais com a gestão Trump e a devolução da carta do presidente norte-americano.

Entidades do setor produtivo também cobraram postura técnica. A Centrorochas apontou prejuízos frente a concorrentes como Itália e China. A Frente Parlamentar da Agropecuária pediu o fortalecimento das negociações bilaterais. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, chamou a ação de Trump de “indecente” e destacou a busca por novos mercados.

O governo brasileiro avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). O ex-chanceler Celso Amorim afirmou que, além do mérito legal, a medida teria valor simbólico. Há também a possibilidade de convocar a embaixadora Maria Luiza Viotti, em Washington, para consultas formais, como sinal de desagrado.

O presidente Lula reafirmou que adotará medidas de reciprocidade: “se ele vai cobrar 50 de nós, nós vamos cobrar 50 dele”. A diplomacia brasileira defende que se mantenha a “cabeça fria”, enquanto o Itamaraty monta uma estratégia baseada no diálogo, apoio internacional e medidas legais para reduzir os impactos da crise.

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